Título: Negócio amplia portfólio de produtos
Autor: Balarin, Raquel; Durão, Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 21/01/2008, Empresas, p. B1

O que a mineradora anglo-suiça Xstrata traz de novo para a brasileira Vale do Rio Doce? A fusão das duas companhias enriqueceria o portfólio de minério e metais da Vale com cobre, carvão e zinco, além de mais níquel, metal que ganhou corpo na Xstrata com a aquisição da canadense Falconbridge em 2006. A companhia é a quarta produtora de cobre do mundo, a quarta de níquel e a maior exportadora de carvão térmico (geração de energia). É ainda a líder mundial de ferro-cromo e uma das cinco maiores de carvão metalúrgico.

O primeiro impacto da união das empresas é a redução da forte dependência da Vale dos minerais ferrosos, com destaque para o minério de ferro, na composição da receita. Uma expressiva queda já foi verificada com a aquisição da canadense Inco em 2006: a participação desse segmento caiu de 74% em 2005 para 50,5% ao fim do terceiro trimestre de 2007. Níquel e cobre responderam por 34,7%.

Com uma possível aquisição da Xstrata, essa dependência reduz ainda mais. Conforme relatório da Merril Lynch, de dezembro passado, na composição do resultado operacional (Ebitda) da nova gigante da mineração, a participação de minério de ferro baixaria de 51% para 29% em 2007. Neste ano, com a perspectiva de aumento de pelo menos 40% no preço do minério de ferro e estabilidade ou queda nas cotações dos não-ferrosos (níquel, cobre, zinco e alumínio) o percentual subiria para 41% (sem a Xstrata, a Vale ficaria com 61%).

A fusão traria uma maior exposição da Vale em cobre, alumínio e carvão. Nesses negócios, o crescimento da empresa se dá com projetos orgânicos, principalmente no Brasil (bauxita e alumina) e na África, Austrália e China (carvão). Atualmente, a duas empresas têm negócios em 18 países. Suas operações de níquel estão nas mesmas regiões geográficas: no Canadá e na Nova Caledônia. A Xstrata concentra suas operações na Austrália, África do Sul, Canadá e América do Sul (Chile e Peru), enquanto a Vale tem a maior parte de suas atividades no Brasil, Canadá e Indonésia.

Vale e Xstrata passariam a controlar mais de 26% do suprimento global de níquel e seis dos 13 novos projetos previstos para entrar em operação nos próximos anos. As sinergias da fusão é estimada em US$ 550 milhões só nos negócios de níquel e cobre no Canadá (suas jazidas fazem fronteiras na região de Sudbury). Isso projetaria um valor adicional futuro de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões. (VSD)