Título: Lula quer opinar sobre consolidação
Autor: Moreira, Talita; Magalhães, Heloisa
Fonte: Valor Econômico, 31/01/2008, Brasil, p. A2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera opinar sobre a fusão entre as operadoras de telefonia Oi e Brasil Telecom, e disse acreditar que a "engenharia" do negócio, feita por "especialistas que conhecem muito o assunto", não confrontará as regras do setor.

Lembrado de que o Plano Geral de Outorgas impede a propriedade de duas operadoras pelos mesmos acionistas, que querem mudanças nas regras para concretizar o acordo em negociação, Lula comentou que o assunto será levado ao Palácio do Planalto, e mostrou que espera analisar pessoalmente as sugestões dos técnicos, com base nas pretensões das operadoras.

"Vamos ver; deixa me apresentarem a proposta", disse o presidente, ao sair do almoço, no Palácio do Itamaraty, com o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta. "Só serão feitas as coisas que sejam legais", desconversou, sorrindo.

Lula não quis comentar detalhes sobre o acordo entre as duas grandes operadoras, que tem apoio aberto do ministro das Comunicações, Hélio Costa, cujas declarações sobre o negócio, na terça-feira, provocaram forte agitação no mercado de ações. "Tem uma equipe que trabalha; quando o primeiro estudo estiver pronto, aí eles me trazem e vamos ver", disse o presidente, sem descartar sua interferência direta nas conversas com o governo. "Tem um negócio acontecendo, mas não posso dar uma opinião enquanto não tiver um retrato fiel da engenharia que está sendo discutida", disse.

Na véspera, Hélio Costa havia adiantado que esperava enviar ainda ontem as propostas de mudança do Plano Geral de Outorgas à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela regulamentação no setor.

Ontem, adiou o prazo para depois do Carnaval.

A operação tem grande simpatia no palácio do Planalto, onde assessores do presidente a defendem como uma forma de fortalecer uma empresa nacional para competir com as multinacionais atuantes no setor.