Título: Venda de veículos para mercado externo cai 4,3%
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Fonte: Valor Econômico, 31/01/2008, Brasil, p. A4
Os setores que mais contribuíram para o fraco desempenho das exportações de manufaturados no ano passado foram automóveis e bens eletrônicos, com destaque para celulares. Em 2007, o volume exportado de industrializados aumentou 3,2%, segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
A quantidade de veículos embarcados para o exterior caiu 4,3% no ano passado em relação a 2006, embora as empresas tenham obtido um reajuste de 8% nos preços. Com o mercado interno batendo recorde e a competitividade prejudicada pelo câmbio, as montadoras deixaram a exportação de lado.
O volume de exportações de material eletrônico e de comunicações despencou 22% em 2007 comparado com 2006. Os preços registraram leve alta de 2,6% no período. Alguns fabricantes de celular, que chegaram a pensar no Brasil como plataforma de produção para a América Latina, estão direcionando quase a totalidade da capacidade das fábricas para o mercado nacional. "Esses setores são emblemáticos, mas acontece o mesmo em outros", diz Júlio Callegari, economista do banco J.P. Morgan.
Bastante sensíveis ao câmbio, os setores intensivos em trabalho também apuraram quedas significativas no volume exportado. Os volumes embarcados caíram 15,3% no vestuário, 6% nos calçados e 2% nos produtos de madeira. As empresas compensaram parcialmente ou totalmente as perdas com reajustes de preços. Os fabricantes de vestuário elevaram os preços em 14,8%, enquanto os calçadistas conseguiram emplacar alta de 16,3%.
Fernando Ribeiro, economista da Funcex, aponta que as exportações de aviões, caminhões e ônibus tiveram excelente desempenho em 2007 e são uma exceção no mau desempenho dos manufaturados. O volume embarcado de outros equipamentos de transporte, categoria que inclui esses produtos, avançou expressivos 47,2% no ano passado em relação a 2006, com leve queda de 1,1% nos preços.
A quantidade exportada de produtos de metalurgia básica, como o aço, caíram 4,8% no ano passado, por conta da falta de capacidade produtiva das siderúrgicas, que direcionaram o aço para o mercado interno. Segundo Ribeiro, a expectativa é de maturação de investimentos e aumento das exportações de aço em 2008. Os preços da metalurgia básica subiram 15,7%, compensando as perdas. O fraco desempenho desse setor é um dos fatores que explica a estagnação na quantidade exportada de semimanufaturados, que cresceu apenas 0,7% no ano passado. Os preços da categoria subiram 10,9%.
Nas importações, houve um crescimento generalizado da quantidade, com destaque para 39,6% para automóveis, 38% para têxteis e 27% para calçados. A partir deste mês, a Funcex começa a divulgar os dados setoriais de quantidade e preço das exportações e importações brasileiras todos os meses. (RL)