Título: Investimento externo no setor cai 32%
Autor: Maia, Samantha ; Bouças, Cibelle
Fonte: Valor Econômico, 29/01/2008, Brasil, p. A9

O setor de infra-estrutura registrou em 2007 o menor volume de investimentos estrangeiros diretos em 11 anos, na contramão de outros segmentos, que registraram recorde de aportes no mesmo período. De acordo com dados do Banco Central compilados pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), o montante destinado ao setor foi de US$ 3,006 bilhões, 32,5% abaixo do verificado em 2006. Foi também o único ano da série a apresentar investimentos abaixo de US$ 4 bilhões - apenas em 1996, os investimentos estrangeiros diretos no setor foram de US$ 2,493 bilhões.

Paulo Godoy, presidente da Abdib, associou o resultado ao reduzido número de leilões e concessões feitos pelo governo federal para a área em comparação com anos anteriores, à exceção dos setores de óleo e gás e transmissão de energia. Ele ponderou, porém, que a redução dos investimentos estrangeiros não reflete o desempenho do setor, que, conforme dados preliminares da entidade, recebeu investimentos superiores a R$ 70 bilhões, ante R$ 65,7 bilhões em 2006. "A redução do investimento estrangeiro direto está mais ligado à decisão das empresas em buscarem se capitalizar com moeda brasileira."

Energia está entre as áreas que menos receberam investimento estrangeiro direto no país em 2007, segundo o levantamento da Abdib. Apesar de observar um fortalecimento dos investimentos nacionais no setor, Fernando Maia, diretor da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), considera que a falta de recursos não se restringe ao capital estrangeiro. "Não vemos mais empresas estrangeiras saindo do que entrando, mas os investimentos como um todo ficaram parados por um tempo", avalia.

Para 2008, a expectativa da Abdib é de que o quadro se reverta e haja expansão dos investimentos estrangeiros diretos, com a realização de novos leilões de concessão pelos governos federal e estaduais. Em julho, o governo federal fará leilão de concessão do complexo rodoviário formado pelas BRs 116 e 324, envolvendo 637 quilômetros de estradas. Também há previsões de que saiam do papel projetos de concessão de mais dez trechos rodoviários, somando 4 mil quilômetros e de um novo trecho da ferrovia Norte-Sul, até Rubinéia (SP).

Em 2007, pelo menos duas concessões indicaram que pode haver uma retomada dos investimentos privados no país neste ano. Em outubro, o governo concedeu sete trechos de rodovias federais. A OHL do Brasil, no mercado de concessões de estradas no país desde 1999, arrematou cinco lotes. Em dezembro, o consórcio Madeira Energia, liderado por Furnas e Odebrecht, ganhou o leilão para a construção e operação da usina hidrelétrica de Santo Antônio, do complexo do Rio Madeira, em Rondônia. Os deságios sobre os valores máximos de tarifas para a concessão, de 65% no caso das rodovias e de 35% para a usina, provaram que o apetite do setor privado para os novos investimentos era maior do que o esperado.