Título: Avaliação do governo Lula é a melhor desde a posse de 2003, diz CNT/Sensus
Autor: Ulhôa, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 19/02/2008, Politica, p. A6

As denúncias de uso abusivo dos cartões corporativos do governo federal "afetam a imagem" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a 91ª rodada da pesquisa feita pelo Instituto Sensus para a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Mas, até agora, não abalaram a popularidade de Lula nem a avaliação positiva do governo - 52,7%, índice recorde desde a primeira posse, em janeiro de 2003 (56,6%).

Dos 64,1% entrevistados que têm conhecimento do caso dos cartões, 74,9% acham que o assunto "afeta a imagem do presidente". Mesmo assim, a popularidade de Lula continua alta, com tendência de crescimento: subiu de 61,2% - na rodada anterior da pesquisa, realizada em outubro de 2007 - para 66,8%.

Foram ouvidas 2 mil pessoas, no período de 11 a 16 de fevereiro, em 136 municípios, nas cinco regiões brasileiras. Para Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, os entrevistados acham que o escândalo "afeta" mas não é "determinante" à imagem de Lula. "O determinante é a economia. Vale mais o bolso. A popularidade alta está ancorada no bom desempenho da economia e nos programas sociais."

O país não vai parar de crescer, segundo 60,9% dos entrevistados. Esse índice era de 51,7% em setembro de 2004, quando essa pergunta foi feita. Por outro lado, dos 55,3% entrevistados que tomaram conhecimento da crise econômica mundial, 70,8% acham que o Brasil não está preparado para enfrentar uma nova crise mundial.

A avaliação positiva é especialmente alta para esta época do ano, em que a população, com mais obrigações financeiras, costuma ser mais azeda com os governantes. Em fevereiro de 2000, segundo ano do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a avaliação positiva de seu governo estava em 16%, menos de um terço da alcançada hoje por Lula.

Além da expectativa otimista com a economia, a população, para Guedes, "não responsabiliza" Lula pelos casos de maus gastos. O consultor Etevaldo Dias, que acompanha a divulgação da pesquisa, dá o seu palpite: "A população pode considerar Lula como vítima desse escândalo".

Nessa rodada da CNT/Sensus, Lula, embora não possa disputar a segunda reeleição, aparece na lista espontânea de candidatos em quem o entrevistado votaria em 2010, com 18,6%. O governador José Serra (SP), do PSDB, aparece em segundo lugar, com 5,1%. Em seguida, vêem o governador tucano Aécio Neves (3%), de Minas Gerais, o ex-governador Geraldo Alckmin (2,1%), o deputado Ciro Gomes (PSB-PE) com 1,2% e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1%).

Quatro listas estimuladas de primeiro turno são apresentadas. Serra vence todas as opções em que seu nome aparece. Ciro é incluído em todas as listas. Fica sempre em segundo lugar, exceto quando Serra não aparece. Nesse caso, Ciro vence a presidente do PSOL, Heloísa Helena, Aécio e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

A ministra aparece em outra lista -, vencida por Serra -, na qual também fica em quarto lugar , atrás de Ciro e Heloísa . Entre os três petistas citados, Dilma tem melhor desempenho. O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) fica em quarto lugar, na única lista em que seu nome é incluído. Estão à frente Serra , Ciro e Heloísa. O ministro Tarso Genro (Justiça), também fica em quarto lugar quando seu nome é incluído - atrás de Serra, Ciro , Heloísa.

O baixo desempenho dos petistas é explicado por serem desconhecidos. Mas Lula ainda não lançou candidato e é alto o índice de votos brancos e nulos (cerca de 20%). Com um nome "palatável" e um currículo forte, o candidato de Lula deve ir para o segundo turno. Ciro não é considerado pela pesquisa como candidato de Lula. Concorre autonomamente.

O Sensus apurou que Lula é forte cabo-eleitoral nas eleições municipais, mas não é determinante: 36,8% admitem votar no candidato apoiado por ele (transferência de voto) e 25,5% dizem que não votariam.

O Índice Avaliação do cidadão - média ponderada das variáveis emprego, renda, saúde, educação e segurança pública dos últimos seis meses - e o Índice Expectativa - próximos seis meses - mostram a satisfação. Para os entrevistados, houve melhora em todas as variáveis e a expectativa é que continuem.

O Sensus perguntou quais valores os pais querem transmitir aos filhos. Usou escala criada pelo professor norte-americano Ronaldo Inglehart, da Universidade de Michigan - incluída na única pesquisa internacional realizada pela CNT/Sensus, em 2001, em 22 países. No Brasil, a "religião" venceu - tanto em 2001 (25,3%) quanto em 2008 (25%). Quando a pergunta é qual a instituição em o entrevistado mais confia, a Igreja aparece em primeiro lugar, com 39,4%. E o Congresso Nacional, em último, com 0,5% - era 1,1% em abril de 2007.