Título: Para a Fiat, o Brasil pode sair ileso se fortalecer economia
Autor: Olmos, Marli
Fonte: Valor Econômico, 24/01/2008, Finanças, p. C8

Marisa Cauduro / Valor Belini: "Na prestação, os juros mais altos equivalem quase ao preço de uma pizza" O Brasil não será atingido pela crise na avaliação do presidente da Fiat, grupo de capital italiano que detém a maior produção de automóveis do país. "Se fortalecer o mercado interno, o país passará ileso por essa", afirma o executivo. Belini aponta as exportações de commodities e de matérias-primas como a maior oportunidade de fortalecimento da economia brasileira.

"Os produtos manufaturados não terão o mesmo desempenho no mercado externo como conseqüência da valorização do real", destaca. Se de um lado o freio nas exportações dos manufaturados chegou a preocupar a indústria, diz o executivo, de outro as exportações do país se fortaleceram com as matérias-primas. "Mudamos o mix das vendas externas".

O executivo lembra que, se há uma crise nos Estados Unidos, ao mesmo tempo o governo daquele país "está atento". E, mesmo que de alguma forma a crise respingue em território brasileiro, para o presidente da Fiat isso não significará um quadro negativo. "Mesmo que o índice de crescimento não seja o previsto, continuará havendo expansão na economia", prevê. "Se não crescermos 17% nas vendas de carros este ano, como prevíamos, mas chegarmos a pelo menos 10% já será significativo", diz. "Estamos num ritmo de quatro anos consecutivos de crescimento", completa.

Belini avalia o momento atual no Brasil como "um choque econômico de baixo para cima", no qual as montadoras registram a chegada de consumidores que antes estavam fora do mercado de veículos zero-quilômetro.

O presidente da Fiat acompanha diariamente os licenciamentos de veículos. E nem mesmo a instabilidade dos juros nos últimos dias o preocupa. "Nas prestações de um automóvel básico, a diferença de valor por conta desse aumento de juros equivale quase ao preço de uma pizza", afirma. Além disso, diz, se um dia o quadro está ruim, no dia seguinte "vemos o Fed reduzindo juros e as bolsas subindo".

Durante um jantar de lançamento de uma nova versão do modelo Stilo, com concessionários e jornalistas, na noite de terça-feira, a direção da Fiat comemorou o crescimento das suas vendas em 30% em 2007. E lamentou não poder atender as filas de espera de consumidores.

Ontem, durante o teste do veículo nas pistas do autódromo e Interlagos, em São Paulo, Belini estava com as atenções voltadas também para a reunião do Copom e arriscou prever que o Banco Central manteria em 11,25% ao ano o juro básico.