Título: Fundos de participação ampliam patrimônio em 143% para R$ 21,7 bi
Autor: Vieira , Catherine
Fonte: Valor Econômico, 25/02/2008, Finanças, p. C2

Carlos Rebello, superintendente da CVM: fôlego menor no IPO favorece FIPs Apesar da forte concorrência dos lançamentos de ações no ano passado, o patrimônio líquido (PL) dos Fundos de Investimento em Participação (FIPs) - também conhecidos como de "private equity" - experimentou uma forte expansão, de 143% em 2007.

De acordo com números consolidados pela Superintendência de Registros da Comissão de Valores Mobiliários (SRE-CVM) para o Valor, o patrimônio desses fundos saltou de R$ 8,93 bilhões no fim de 2006 para R$ 21,71 bilhões no fim do ano passado. Para este ano, a expectativa é ainda mais positiva, porque os administradores fizeram uma rodada importante de captação de recursos em 2007, com compromissos de investimento que montam a R$ 22,3 bilhões, de acordo com os dados registrados na CVM.

O superintendente de registros da autarquia, Carlos Alberto Rebello, explica que o montante consolidado no site da CVM, na área de ofertas públicas registradas, corresponde, no caso dos FIPs, ao chamado capital comprometido. Ou seja, um compromisso de investimento assegurado pelos administradores com diversos cotistas, mas que vai ser efetivamente aplicado em projetos durante o período de investimentos, que em alguns fundos chega a levar quatro anos. "Observando o patrimônio líquido das carteiras é que se têm uma idéia melhor dos montantes que vão sendo efetivamente investidos", diz Rebello. Ele lembra que algumas vezes os fundos alocam alguns recursos em ativos líquidos antes de investir diretamente nos projetos, mas que esses casos são mais raros. "Geralmente o patrimônio líquido reflete a aplicação direta do recurso nas companhias e projetos", completa o executivo.

Para 2008, as perspectivas são positivas, não apenas porque os fundos têm dinheiro em caixa para aplicar, mas porque a concorrência dos lançamentos de ações (IPOs, em inglês) - que fez os projetos e empresas ficarem mais caros em 2007 - já demonstra fôlego bem menor. Rebello lembra que oito companhias que estavam propondo ofertas já desistiram oficialmente e outras interromperam o processo temporariamente em função das incertezas do cenário. "Muitas dessas empresas que estavam cogitando ir à bolsa podem acabar nas carteiras dos fundos de participação", observa o superintendente.

O diretor da área de private equity do Banif Banco de Investimentos, Marcos Rechtman diz que no último ano, notadamente no segundo semestre, os investimentos de FIPs começaram a ganhar mais impulso. "O interesse por esse produto vem crescendo, em função da maior maturidade da economia brasileira", diz Rechtman, que também é conselheiro da Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (Abvcap). Ele lembra que o próprio Banif vem aumentando muito a aposta no segmento. Estão sendo montadas cinco carteiras. "Elegemos como foco as áreas de meio ambiente, imobiliária, infra-estrutura e governança corporativa", diz o executivo do banco português.

No ano passado, começou a se acelerar também o ritmo dos investimentos em projetos de grandes fundos na área de infra-estrutura. O GP Logística, por exemplo, investiu em portos, enquanto o Brasil Energia, do UBS Pactual, fez aporte num parque de energia eólica. Já o AG Angra comprou o controle de uma usina de etanol no Maranhão. Esses fundos ainda têm recursos para aplicar, por isso o processo de escolha de novos projetos vai continuar esse ano.

De acordo com Zeca Oliveira, CEO do BNY Mellon, que é administrador responsável por diversos FIPs, essa área de energia é uma das que mais vem recebendo os recursos. "Os investimentos dos FIPs vêm crescendo, assim como a criação de novas carteiras, o segmento está mais aquecido que o dos fundos de recebíveis", avalia Oliveira.

Na listagem de fundos já com algum patrimônio cadastrados CVM, há 96 FIPs. Nem todos porém correspondem ao modelo tradicional do 'private equity', que é o de juntar recursos de cotistas - principalmente institucionais - para comprar 'pedaços' ou até o controle de empresas e projetos com bom potencial de expansão, mas que precisam de injeção de recursos e profissionalização. Neste modelo, a idéia é colher os frutos no longo prazo, na hora de se desfazer do investimento, seja por meio da venda para um outro investidor estratégico ou pela abertura de capital no mercado.

Alguns investidores ou empresas investem por meio de FIPs por causa das vantagens tributárias. Mas cresce o modelo tradicional.