Título: SP dá início à privatização da Cteep
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 14/02/2005, Empresas &, p. B3
O governo do Estado de São Paulo pretende privatizar sua empresa de transmissão elétrica, a Cteep. O objetivo é destinar os recursos da venda para a capitalização de outra estatal paulista de energia, a geradora Cesp. A Cteep, segundo analistas de investimentos ouvidos pelo Valor, valeria entre R$ 1 bilhão e R$ 1,3 bilhão. O projeto de lei pedindo a inclusão da empresa no programa estadual de desestatização foi enviado ontem pelo governo à Assembléia Legislativa de São Paulo, em regime de urgência. Segundo fonte próxima ao governo paulista, se a opção do governo for por um leilão de privatização da Cteep, ele deverá ocorrer no primeiro semestre de 2005. Os rumores de uma possível privatização fizeram as ações da Cteep subir 7,17% na quarta-feira. Ontem os papéis PN subiram mais 10,14%, acumulando alta de 18,04% em dois pregões. O governo paulista tem pressa porque o dinheiro servirá para o pagamento de dívidas de R$ 2 bilhões da Cesp que vencem no curto prazo. A geradora tem endividamento total de R$ 10,5 bilhões (posição em 30 de setembro, segundo o último balanço divulgado pela empresa). Se for vendida por R$ 1,3 bilhão, a Cteep não será suficiente para quitar dívidas de curto prazo da Cesp. O presidente da Cteep, Sidnei Martini, confirmou a intenção de saneamento da Cesp, mas disse que o governo ainda não se decidiu pela privatização. "Uma opção seria aportar as ações da transmissora na geradora. Qualquer que venha a ser a solução adotada, a idéia é capitalizar a Cesp", disse. Hoje o governo paulista detém 64% das ações ordinárias da transmissora, mas apenas 36,45% do seu capital total, enquanto a sua principal sócia na Cteep, a Eletrobrás, possui 9,8% das ações ON, mas 53% do capital total. Foto: AP
A Cteep é a única transmissora com capital aberto. O segmento de transmissão é considerado de menor risco que a geração e a distribuição de energia. As ações do governo de São Paulo na Cteep estão distribuídas da seguinte forma: a Fazenda Estadual detém 53% das ordinárias e 26,5% do capital total; a Nossa Caixa possui 8,2% das ON e 8,5% do capital total e o Metrô de São Paulo possui mais 3,16% dos papéis ordinários e 1,33% do capital. Se vendidas também as participações da Nossa Caixa e do Metrô, a empresa poderia valer R$ 1,3 bilhão, segundo avaliação do analista Fabio Zagatti, da HSBC Corretora. Caso venha a ser privatizada, a transmissora poderia atrair a atenção de grupos que atuam no Sudeste, como a CPFL, a Cemig e a Eletropaulo. A Cteep é a única empresa do segmento de transmissão que possui capital aberto. A área de transmissão apresenta risco mais baixo do que a da geração e da distribuição, na avaliação dos executivos do setor. Com uma possível privatização, a Cteep poderia aumentar sua alavancagem e passar a disputar mercado em outros Estados, diz um analista da área financeira, que preferiu não ser identificado. Ele acredita que não só a Cteep, mas a Cesp também acabará sendo privatizada no futuro se for saneada. A Cteep, ao contrário da Cesp, já é uma empresa lucrativa. No seu balanço do terceiro trimestre do ano passado (o último disponível) mostrou lucro de R$ 98,95 milhões entre julho e setembro - um crescimento de 25,56% sobre o terceiro trimestre de 2003. Nos primeiros nove meses de 2004, acumulava lucro de R$ 230,66 milhões, um avanço de 31,72% sobre o período de janeiro-setembro do exercício anterior. O seu balanço de 2004 será divulgado em 24 de março. Os investimentos programados para 2005 serão de R$ 450 milhões A Cteep foi criada em 1999, fruto de uma cisão da Cesp. No mesmo ano, passou por uma fusão com a EPTE, outra transmissora criada a partir de cisão da Eletropaulo. Juntas, elas têm ativos de mais de R$ 4 bilhões e 18 mil quilômetros de linhas de transmissão. (colaborou Leonardo Goy, do Valor Online)