Título: EDP investe em fontes renováveis no Brasil
Autor: Capela , Maurício
Fonte: Valor Econômico, 27/02/2008, Empresas, p. B9
António de Abreu, presidente da Energias do Brasil, a filial da EDP no país, diz que a Enernova atuará na América do Sul A disparada do preço do barril de petróleo e a crescente preocupação quanto ao aquecimento global colocaram a geração de energia a partir de fontes renováveis na mira das grandes companhias do setor elétrico mundo afora. Hoje, é cada vez mais comum encontrar multinacionais e mesmo grupos brasileiros estudando projetos que diversifiquem sua geração.
À luz da nova tendência, quem deu a última tacada foi a Energias do Brasil. Holding controlada pela portuguesa EDP e que consolida os ativos de comercialização, geração e distribuição do insumo no país, a companhia resolveu criar uma nova unidade de negócios, a Enernova, cuja responsabilidade é agrupar os investimentos em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), em geração a partir do bagaço de cana-de-açúcar e em eólicas. E o papel da Enernova não vai se limitar ao Brasil. A divisão também será responsável por projetos nessas áreas na América do Sul.
"A entrada de um grupo desse porte é muito positivo. E isso não é um fenômeno brasileiro, é mundial, porque as grandes geradoras precisam compensar a emissão de gases com créditos de carbono que são facilmente conseguidos em usinas de fontes renováveis", afirma Adão Muniz, conselheiro da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEE), ao Valor.
A julgar pelo planejamento estratégico, as intenções da Enernova estão longe de serem modestas. "Nossa meta é gerar mais de 1000 megawatts (MW) dessas fontes alternativas a partir de 2012", diz António Pita de Abreu, que assumiu o posto de diretor-presidente da Energias do Brasil no início deste ano. Pita substituiu António Martins da Costa, que agora comanda a americana Horizon, empresa do grupo EDP e geradora de 1,4 mil MW de fonte eólica.
Segundo Pita de Abreu, o objetivo é que 50% da geração prevista para 2012 esteja atrelada às PCHs, sendo que a outra metade deverá se dividir entre biomassa e eólicas. Hoje, mesmo recém-criada, a Enernova já possui uma capacidade de 131 MW, devendo agregar outros 29 MW em 2009, quando a PCH Santa Fé entrará em operação no Estado do Espírito Santo. No total, a Energias do Brasil tem um parque gerador de 1,043 MW.
Agora, mesmo com 131 MW à mão, o diretor-presidente da holding explica que é impossível fazer qualquer projeção sobre a equivalência desse volume em receita, porque os dados de 2007 ainda não foram divulgados. No entanto, afirma que, se a Enernova já existisse em 2006, seu Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Lajida) teria sido de R$ 55 milhões. O Lajida da Energias do Brasil foi de R$ 1,074 bilhão dois anos atrás.
Mas a Enernova ainda precisa contornar obstáculos para alcançar os 1000 MW em 2012. Um deles é conseguir o sinal verde da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a análise de cada uma das 24 PCHs que a empresa pretende construir até 2013. De acordo com a companhia, esse conjunto de usinas seria capaz de gerar 538 MW. A Aneel informa que há alguns projetos em fase de inventário, outros em elaboração e ainda alguns em fase de aceitação.
Além das PCHs, o planejamento estratégico da Enernova foca na geração a partir do bagaço da cana-de-açúcar no curto prazo. E a razão é muito simples. Como a Energias do Brasil possui distribuidoras em estados onde há um parque sucro-alcooleiro, o entendimento deverá ser facilitado. A holding é dona da distribuidora sul-matogrossense Enersul e da paulista Bandeirante, além da capixaba Escelsa. Já em relação às eólicas, os próprios executivos admitem que a fonte tem ainda um caminho de amadurecimento no país.