Título: Grande produtor de soja no MT, Vanguarda investe na BA
Autor: Felício , César
Fonte: Valor Econômico, 28/02/2008, Agronegócios, p. B18

Um dos maiores produtores individuais de soja no Brasil, o deputado estadual Otaviano Pivetta (PDT) começa a expandir sua produção do Mato Grosso para a Bahia. O grupo Vanguarda do Brasil, controlado pelo parlamentar, adquiriu terras em Luís Eduardo Magalhães (BA) para plantar 100 mil hectares de soja na safra 2008/09. Na safra 2007/08, já haviam sido plantados 20 mil hectares, em regime de arrendamento.

Com a incorporação destas novas terras, Pivetta irá dividir por igual a sua produção de soja entre o Centro-Oeste e o Nordeste. Na região de Nova Mutum (MT) serão plantados outros 100 mil hectares de soja. "Resolvemos dividir o risco", comentou o vice-presidente do grupo, Syllas de Lima. Os sojicultores do Mato Grosso estão sob forte pressão de consumidores da União Européia em função da degradação ambiental do Estado.

Uma "moratória da soja" implantada pelas principais tradings do setor há pouco mais de um ano bloqueou formalmente a compra de soja de áreas novas de plantio na região da Amazônia Legal. Além da soja, Pivetta irá plantar 40 mil hectares de algodão e 60 mil hectares de milho, integralmente no Mato Grosso.

Mas o maior investimento fora da produção de grãos está na pecuária bovina, onde conta com o insumo próprio da alimentação para realizar a engorda intensiva. Em 2007, Pivetta já havia expandido o confinamento de gado de 12 mil cabeças em Nova Mutum para 50 mil. Em 2008, pretende confinar 180 mil cabeças, em Nova Mutum e Diamantino (MT). O grupo possui ainda uma empresa de suinocultura, com seis mil matrizes.

O grupo de Pivetta faturou R$ 365 milhões (US$ 192 milhões) ao longo de 2007. Para este ano, estima alcançar R$ 550 milhões de faturamento, ou US$ 305 milhões.

No final do ano passado, o grupo começou a analisar a hipótese de não limitar a sua expansão à Bahia, mas começar a plantar no exterior. Executivos do grupo mantiveram duas reuniões, no Rio de Janeiro, com representantes do governo de Angola. "Fomos procurados por eles, que querem captar investidores para a compra de terras na região próxima a Luanda. O objetivo é colocar Angola no mercado exportador de soja para a Ásia", comentou Lima.

Ainda este ano, representantes do Vanguarda do Brasil devem ir para Luanda. As áreas oferecidas são terras que serviram para o plantio em larga escala de café e algodão nos tempos da colonização portuguesa e que estão desocupados ou usados por pequenos produtores, cuja área individual de plantio de grãos não ultrapassa mil hectares. "Tudo irá depender das linhas de financiamento abertas para a aquisição das terras e para a colocação da produção. É algo a ser analisado sem ansiedade. Queremos expandir, mas no Brasil ainda há muito espaço", disse.