Título: Grupo mantém 2º lugar no Brasil
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 27/03/2008, Empresas, p. B3

O futuro da Motorola no Brasil ainda estava incerto ontem à tarde, mas não há grandes dúvidas de que seguirá o roteiro traçado pela matriz.

A companhia americana tem fábrica em Jaguariúna, no interior de São Paulo, e a produção de telefones celulares é apenas um dos segmentos em que atua no país. Radiotransmissores, sistemas de banda larga, modems e módulos sem fio (para rastreadores de veículos, por exemplo) são outros mercados explorados pela empresa. É natural, portanto, que o desmembramento da área de celulares faça-se notar por aqui.

A assessoria de imprensa da Motorola no Brasil informou que ainda não estava a par do que aconteceria na subsidiária.

A Motorola chegou a deter a liderança do mercado brasileiro anos atrás - uma posição que também ocupou mundialmente. A empresa, no entanto, perdeu terreno para a finlandesa Nokia, em especial depois da chegada do padrão GSM, em 2002.

Com grande potencial de consumo e mão-de-obra barata, o Brasil atraiu, nos anos seguintes, uma série de fabricantes de aparelhos - alguns dos quais nem estão mais no mercado.

Assim como no restante do mundo, a Motorola já teve dias mais gloriosos no país. Basta lembrar o sucesso do Star Tak, aquele aparelho pretinho que fez sucesso nos primeiros anos da telefonia móvel no Brasil. Recentemente, a marca voltou a se fazer desejada com o Razr, modelo que a empresa mais vendeu nos últimos anos. Mesmo assim, não chegou a bater o anterior em termos de prestígio.

Em outro front, alguns casos de explosão de celulares expuseram a Motorola de forma negativa no Brasil. Na maioria dos casos, os acidentes resultaram do uso de acessórios não-oficiais. Mas o fato é que esses episódios obviamente não contribuíram em nada para a imagem da companhia.

Apesar disso, a situação da Motorola é mais favorável aqui do que em outros mercados onde atua. Mesmo tendo perdido a segunda colocação no mercado mundial para a coreana Samsung, no fim do ano passado, a empresa manteve a vice-liderança no Brasil, segundo informações de fabricantes. Não há dados precisos sobre o país e, diante desse cenário, é improvável que a empresa tenha fôlego para se sustentar nessa posição.

Na arena global, a Motorola terminou 2006 com participação de 21,3% nas vendas de celulares, fatia que diminuiu para 14,1% no encerramento do ano passado. A Samsung subiu de 11,6% para 13,9%. A Nokia ampliou sua vantagem e ficou com 38,2%. Os dados são da consultoria IDC. (TM)