Título: Vale terá R$ 7,3 bi de crédito do BNDES
Autor: Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 02/04/2008, Finanças, p. C1

A Vale assinou ontem contrato de financiamento com o BNDES de uma linha de limite de crédito de até R$ 7,3 bilhões para tocar seus projetos de investimento em mineração e logística. "Este é o maior empréstimo já concedido pelo banco a uma única empresa em toda a história da instituição de fomento", disse o presidente do banco, Luciano Coutinho.

Roger Agnelli, presidente-executivo da Vale, está satisfeito com o apoio do BNDES ao plano da companhia de gastar US$ 59 bilhões nos próximos cinco anos em investimentos em projetos de mineração, dos quais US$ 44 bilhões no Brasil. "Para executar este plano temos que ter um colchão de liquidez e esta linha do BNDES é fundamental", declarou Agnelli durante assinatura do contrato no banco.

Coutinho informou que esta linha de limite de crédito, que funciona como um cheque especial para os grupos com nota de risco de grau de investimento, já existe no banco. Mas, anteriormente, o limite desta linha era de R$ 900 milhões e agora foi derrubado. Ele justificou o valor elevado do empréstimo à Vale com o "programa extraordinário de investimento da empresa".

Segundo Coutinho, o aumento do valor das linhas de crédito são parte da política industrial para amparar os projetos de investimento dos grandes grupos econômicos nacionais.

Ele garantiu que o BNDES conta com recursos para bancar estes financiamentos. Em 2008, o orçamento de R$ 80 bilhões já está garantido. "Agora, estamos nos preparando para enfrentar aumento da demanda por crédito devido à crise de liquidez internacional e para assegurar uma escala de recursos necessária a médio prazo para que o banco cumpra um papel importante na sustentação dos investimentos da economia brasileira."

Desde outubro, o BNDES e a Vale estão costurando este megaempréstimo. A Vale tem cinco anos para usar estes recursos nos projetos que escolher. O prazo de pagamento é de 10 anos e o custo financeiro é corrigido em 80% pela variação do dólar e 20% pela TJLP (6,25% ao ano). Este juro misto é uma modalidade de correção de financiamento muito usada pelo banco quando libera dinheiro para empresas estrangeiras e exportadoras que têm receita em dólar, como é o caso da Vale. Os spreads serão fixados por projeto.

Agnelli disse que esta fatia maior de correção cambial casa com os projetos da companhia, em sua maioria destinados à exportação. Ele citou o projeto de níquel de Onça Puma, que vai produzir 60 mil toneladas a partir do primeiro trimestre de 2009, o projeto de cobre de Salobo, que vai alcançar 00 mil toneladas em 2011 e o empreendimento de Serra Sul, uma mina gigante de minério de ferro a céu aberto em Carajás, cuja exploração custará à Vale entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões.

A estratégia da mineradora para tocar seus projetos de mineração e logística passa pelo empréstimo do BNDES e pela busca de mais recursos lá fora em bancos internacionais de fomento, eximbanks e agências multilaterais, que têm custos mais baratos e financiam a longo prazo.

"Temos conversado com outros organismos internacionais buscando o mesmo modelo", disse Agnelli. Ele contou que a diretoria financeira da Vale já assinou um memorando de entendimento com a Nexi, uma agência de seguro de crédito chinês para obter uma linha de US$ 2 bilhões. Fábio Barbosa, diretor executivo de Finanças, já visitou o Japan Bank for International Cooperation (JBIC), a agência alemã KFW e outras instituições chinesas como o China Exim, Bank of Comunication, Bank of China, Citic, Sinoshure, seguradora de crédito. No programa de captação da Vale de 2008, que está sendo revisto, o financiamento do BNDES é apontado como o componente mais importante.

Antes da Vale, seis grandes grupos econômicos já receberam linha de limite de crédito do BNDES. São eles, Grupo Gerdau (R$ 900 milhões), Grupo Ultra (R$ 780 milhões), Copesul (R$ 338 milhões), Usiminas ( R$ 900 milhões), Klabin (R$ 827 milhões), Braskem ( R$ 600 milhões) e Elekeiroz ( R$ 117 milhões).