Título: Expansão de 2004 não criou muitos empregos, diz a OIT
Autor: Assis Moreira De Genebra
Fonte: Valor Econômico, 15/02/2005, Internacional, p. A19
O crescimento de 5% da economia mundial no ano passado, o melhor resultado em três décadas, não significou melhora importante no mercado de trabalho, diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade calcula que em 2004 foram criados 47,7 milhões de empregos globalmente, com aumento de 1,7%, mas sem mudanças nos 61,8% da população em idade de trabalhar. O numero de pessoas desempregadas caiu para 184,7 milhões, uma redução de apenas 500 mil em relação ao ano anterior, mas a primeira redução em quatro anos. Um comunicado oficial da OIT destaca que a região que mostrou a redução mais forte na taxa de desemprego no ano passado foi a América Latina e o Caribe, passando de 9,3%, em 2003, para 8,6% em 2004. Mas o escritório regional da própria OIT, com sede no Peru, conta outra história e coloca em jogo a credibilidade do que sua sede propaga. Seu relatório "Panorama do Emprego", que seus funcionários consideram mais atualizado que as cifras divulgadas ontem em Genebra, informa que o desemprego na América Latina e Caribe caiu na verdade de 11,1% para 10,5% até o terceiro trimestre do ano passado e calcula em 19,5 milhões o numero de desempregados urbanos na região. Esse relatório, que desde dezembro está na internet, atribui a maior parte da redução do desemprego na América Latina a melhoras importantes na Argentina, no Uruguai e na Venezuela, que tinham sofrido colapso do emprego por causa das crises econômicas. No Brasil e no México, que representam 60% da população economicamente ativa da região, houve situação diferente: o desemprego diminuiu no primeiro, mas aumentou no México. O escritório regional também compara a produtividade do trabalho na região. Um trabalhador latino gera nível de produção de US$ 10,5 mil por ano, enquanto chega a US$ 40 mil nos EUA, no Japão e na Europa. A remuneração média na América Latina é de US$ 430 por mês, enquanto nos EUA quase 70% da produção são retribuídos aos empregados. Para 2005, o escritório da OIT projeta taxa de desemprego de 12,8% na Argentina, 11,1% no Brasil, 3,6% no México, com evolução positiva, mas insuficiente.