Título: Auditores da Receita mantêm paralisação
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Fonte: Valor Econômico, 08/04/2008, Brasil, p. A2
Quase 70% dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil decidiram ontem, após 21 dias de greve, manter a paralisação por melhores salários. A categoria votou, em assembléias regionais, pela continuidade do movimento, em todos os postos de fronteira e aduanas. Os auditores querem equiparar seus salários, de pouco mais de R$ 13 mil, com os dos delegados da Polícia Federal e procuradores da Fazenda Nacional na Advocacia Geral da União (AGU), que ganham R$ 19 mil, em média.
Alguns chefes de delegacias da Receita entregaram seus cargos - como no Acre, Cascavel (PR), Joinville (SC) e Pelotas (RS) - e auditores em greve devolveram trabalhos que desenvolviam. "A paralisação só não é maior porque temos que garantir o funcionamento mínimo de 30% dos serviços", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Unafisco), Pedro Delarue.
Ele explicou que não existe legislação a respeito do índice, mas sim uma "limitação jurisprudencial", que equipara os movimentos grevistas nos serviços públicos aos da iniciativa privada. "Não pode haver colapso", disse.
Apesar disso, os prejuízos já são sentidos nos portos onde se registra a maior parte da movimentação do comércio exterior, como Santos (SP) e Paranaguá (PR), em aeroportos, como Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, e Galeão, no Rio, e nos postos de fronteira de Foz do Iguaçu (PR) e Uruguaiana (RS), nos quais a situação é mais crítica e se formam filas quilométricas de caminhões que não podem movimentar as cargas.
O presidente do Unafisco disse não ser " nossa intenção causar prejuízo à nação ou à sociedade, queremos somente que o governo cumpra o acordo assumido, em outubro do ano passado, quanto à equiparação salarial com outras categorias do Executivo", disse. Segundo ele, ao invés de cumprir o acordo, "o governo tem recuado", sob a alegação de falta de dinheiro, por causa do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
No Amazonas, a matéria-prima parada nos centros alfandegários do porto e do Aeroporto Internacional de Manaus, por causa da greve dos auditores fiscais da Receita, faz com que a indústria local amargue prejuízo de US$ 100 milhões. A estimativa é do presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas (Sinaees), Wilson Périco.
Segundo Périco, pelo menos, 2,5 mil empregados estão sem matéria-prima para trabalhar, o que causou interrupção das linhas de produção de 11 fábricas no Pólo Industrial de Manaus. Hoje, trabalham no pólo 400 empresas que, em 2008, devem ter faturamento de US$ 28 bilhões.
"Nossa preocupação no momento não é só quanto ao prejuízo financeiro das empresas, mas também quanto ao prejuízo social para os trabalhadores e também para o país", disse Périco. Grande parte dos insumos necessários às linhas de produção do Pólo de Manaus é de origem estrangeira.
Segundo o presidente do sindicato das indústrias, a solução para o fim da greve dos auditores é esperada com ansiedade em função da proximidade com o Dia das Mães. A data é importante para o comércio e costuma ser responsável pela geração de postos de trabalho no setor industrial de Manaus.