Título: Venezuela vai assumir ao menos 60% do capital das empresas de cimento
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Fonte: Valor Econômico, 08/04/2008, Internacional, p. A11

A Venezuela informou ontem que vai adotar na estatização das empresas de cimento do país um modelo similar ao usado na renegociação dos contratos com as empresas internacionais de petróleo. O Estado vai comprar compulsoriamente ao menos 60% das ações das empresas. A medida afeta a mexicana Cemex, a francesa Lafarge e a suíça Holcim, que tem unidades na Venezuela.

O presidente Hugo Chávez disse ontem que serão estatizadas só as companhias de cimento que pertenciam ao Estado e foram privatizadas, n uma declaração divulgada para esclarecer a medida. Na semana passada, ele havia anunciado a estatização de toda a indústria de cimento venezuelana, sem dar detalhes da amplitude da ação e dizendo apenas que indenizaria de forma justa os investidores.

"Vamos estatizar apenas o que foi privatizado, as grandes empresas de cimento que foram dadas quase de presente, as fábricas que foram propriedade dos Estado", explicou Chávez à TV estatal.

Ainda assim, até ontem não estava claro quais unidades são passíveis de estatização. O governo, porém, fez novas críticas a Cemex, acusando a empresa de danos ambientais. A Cemex, uma das maiores empresas do setor no mundo, domina 50% do mercado de cimento do país.

A Cemex Venezuela tem uma capacidade anual de produção no país de 4,6 milhões de toneladas de cimento; a Lafarge, de 1,5 milhão de toneladas; e a Holcim, de 2,2 milhões de toneladas.

As autoridades venezuelanas dizem que as negociações para definir o valor das indenizações serão feitas bilateralmente, com cada uma das afetadas.

O ministro de Economia do México, Eduardo Sojo, anunciou que o governo defenderá "com tudo" a Cemex. "Vamos apoiar, como sempre fizemos, qualquer empresa mexicana que tenha alguma complicação em algum país estrangeiro", disse Sojo.

No ano passado, o governo venezuelano lançou um amplo programa de estatizações, que inclui empresas de petróleo, de eletricidade e de telecomunicações. No setor de petróleo, quatro grandes empresas aceitaram a oferta de indenização do governo para assumir 60% de suas operações na região do rio Orinoco. Mas a Exxon Mobil e a ConocoPhillips abandonaram o país e estão buscando indenização por meio de uma arbitragem internacional.

Chávez havia acusado as grandes empresas de cimento de favorecer a exportação em detrimento do mercado interno e de terem formado um cartel para controlar os preços. O país sofre com falta do produto e disparada dos preços. Sacos de cimento são vendidos num mercado paralelo por até três vezes o preço de loja.