Título: Bush só quer baixar emissão de gases dos EUA após 2025
Autor: Herbert, H. Josef,Riechmann , Deb
Fonte: Valor Econômico, 17/04/2008, Internacional, p. A10

O presidente dos EUA, George W. Bush, defendeu ontem que o país estabilize suas emissões de gases que provocam o aquecimento global apenas em 2025 e cobrou que outras nações poluidoras estabeleçam metas próprias para o combate às mudanças climáticas.

Num pronunciamento focado no clima, Bush se mostrou preocupado com a possibilidade de que o Congresso - controlado pelos opositores do Partido Democrata - aprove uma legislação que, segundo ele, afetaria o crescimento econômico. Críticos dizem o governo Bush demorou para tomar alguma iniciativa em relação aos problemas climáticos.

Embora tenha falado em meta, Bush, a quem restam poucos meses de mandato, foi criticado por ter apresentado apenas idéias gerais - e só alguns pontos específicos - sobre como atingir os objetivos. Empresas americanas vêm cobrando a apresentação de regras claras sobre limitação das emissões. A indefinição do modelo a ser adotado tem criado dificuldades para projetos de investimento de longo prazo.

A proposta de Bush foi logo apontada por congressistas democratas e por ambientalistas como insuficiente para se estabilizar o nível de concentração de gases que retém o calor na atmosfera. Bush disse, no entanto, que uma ação unilateral dos EUA não é capaz de deter os problemas climáticos.

"Assim como em muitos outros países, o plano dos EUA será uma abrangente combinação de incentivos de mercado e regulações para reduzir as emissões, com estímulos a tecnologias de energia limpa e eficiente", afirmou Bush. "Estamos dispostos a incluir esse plano em um acordo que esteja vinculado internacionalmente, à medida que as outras grandes economias estiverem prontas a incluir seus planos num acordo desse tipo."

Os EUA e outros países concordaram em uma reunião em Bali, Indonésia, em dezembro, em trabalhar para definir no fim de 2009 metas claras para a redução de emissões de gases. As metas dariam continuidade ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Bush também defendeu que as emissões das termelétricas sejam estabilizadas em 10 a 15 anos. "Para atingirmos nossa meta em 2025, precisaremos reduzir num ritmo mais rápido as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico, de modo que elas cheguem ao teto dentro de 10 a 15 anos, e caiam a partir de então", disse. "Ao fazermos isso, reduziremos os níveis de emissão do setor elétrico bem abaixo do que se projetava quando anunciamos pela primeira vez nossa estratégia climática em 2002."

Segundo o presidente, há diversas formas para se atingir essas reduções, "mas todas as abordagens responsáveis dependem da aceleração do desenvolvimento e da aplicação de novas tecnologias".

Senadores democratas destacaram que, pelo plano do presidente, o ritmo das emissões continuará crescendo ainda por quase duas décadas. O próprio governo estima que nesse período somente as emissões das termelétricas crescerão 16%. Para a senadora Barbara Boxer, presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente, a estratégia de Bush é "pior do que não fazer nada" e o "máximo da irresponsabilidade".

Um projeto apresentado no Senado, e que pode começar a ser discutido em junho, prevê a definição de tetos obrigatórios para as emissões. Bush se opõe à idéia e a classificou como irrealista e prejudicial à economia. Os três pré-candidatos à Presidência - os democratas Hillary Clinton e Barack Obama, e o republicano John McCain - são favoráveis a um programa mais agressivo contra as mudanças climáticas. E defendem limites obrigatórios para emissões.