Título: HSBC quer dobrar ativos e lucros na AL
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Fonte: Valor Econômico, 18/04/2008, Finanças, p. C7
O novo presidente regional, Emilson Alonso, buscará maior integração Dobrar os ativos em quatro a cinco anos e também dobrar a participação da região nos resultados do grupo em dez anos são algumas das metas do novo presidente do HSBC Bank para a América Latina e Caribe, Emilson Alonso, atual presidente do banco no Brasil.
Alonso, 52 anos, que vai assumir a nova função em maio e deve se mudar para o México, onde ficará baseado, em junho, deu ontem a primeira entrevista desde que foi nomeado. O banqueiro, que comandava o HSBC no país desde outubro de 2003, prevê que viajará 20 dias por mês, para cobrir os 14 países onde o banco possui operações, passando a cada cinco ou semanas pelo Brasil.
A América Latina respondeu por 9% do lucro líquido global do grupo HSBC em 2007, fazendo US$ 2,2 bilhões do total de US$ 20,45 bilhões. O Brasil contribuiu com 40% do resultado regional e o México com 45%. Alonso acredita que pode dobrar a contribuição da região em dez anos para perto de 20%, levando em conta que o lucro líquido do grupo também crescerá. "Há dez anos não tínhamos nada aqui", disse Alonso, lembrando que o banco no Brasil surgiu com a aquisição do Bamerindus em 1997. Em 2004, foi comprado o Bital, no México.
As metas levam em conta apenas o crescimento orgânico. Mas, como disse, o banco está constante olhando as alternativas de aquisição. Considera que já cobre os principais mercados da região, com exceção da Guatemala.
Alonso considera, porém, bastante importante para o banco ter um plano de crescimento orgânico e lembrou que, nos cinco anos em que comandou as operações no Brasil, comprou as operações do Lloyds no país, inclusive a financeira Losango, e mais duas financeiras menores.
Para ele, a América Latina oferece muitas possibilidades de crescimento orgânico. Um dos motivos é que a população não bancarizada é muito grande. Estima que 200 milhões de pessoas, ou dois terços da população da região, localizadas principalmente no México e no Brasil, não têm acesso a serviços bancários. Identifica também oportunidades de crescimento na oferta de produtos financeiros a pequenas e médias empresas e de administração de riqueza.
Outra missão de Alonso é integrar as operações da região. "O HSBC quer ser realmente um banco regional", afirmou. Para isso, entre suas tarefas estão simplificar e padronizar os processos, aumentar a produtividade e a sinergia, e desenvolver softwares utilizáveis em vários países. No México já está situado um importante centro tecnológico que já presta serviços para mercados menores, como o Chile e Peru. A idéia é ter outra unidade no Brasil, até por contingência.
Alonso vai passar o comando do HSBC no Brasil para o inglês Shaun Wallis, que trabalha há 30 anos no grupo. Wallis nunca esteve no Brasil, mas trabalhou em Hong Cong, Nova Zelândia, Escandinávia, Europa e, recentemente, comandava as operações na ilha de Malta. "Foi uma escolha de Geoghegan. Confio no taco dele", disse Alonso referindo-se a Michael Geoghegan, presidente mundial do grupo.