Título: Estratégia vai focar São Paulo e exterior
Autor: Magalhães, Heloisa; Vieira, Catherine
Fonte: Valor Econômico, 28/04/2008, Tecnologia & Telecomunicações, p. B3
Os controladores da nova Oi, que engloba agora também a Brasil Telecom, já têm os próximos passos de sua estratégia de expansão definidos. Serão dois focos principais. No mercado interno, é preciso conquistar São Paulo - único Estado em que as duas não operam em telefonia fixa e onde a Oi está apenas começando a entrar com a operação de celulares. No exterior, o presidente da Oi, Luiz Eduardo de Falco, diz que os planos são de expandir a empresa para Europa, África e América Latina. O que ele não conta é que já há um inimigo número um: o mexicano Carlos Slim, que no Brasil controla a Claro e a Embratel e é um sócio importante da Net.
Slim tem avançado nas operações de telecomunicações da América Latina e é visto como um concorrente agressivo, que pode gastar muito dinheiro para conquistar novos mercados porque sabe que tem um quase monopólio no México. Até agora, o mexicano tinha na Telefónica seu principal concorrente na região. A nova Oi promete ser mais uma pedra no seu sapato. A ordem na "supertele" brasileira é passar a combater o oponente também lá fora, como forma de defender as operações dentro do país. Por isso, é possível, sim, que a nova Oi avance em países de língua portuguesa na África e na Europa, como afirmou Falco na sexta-feira. Mas o foco das atenções será mesmo os países de língua espanhola da América Latina, por causa da expectativa de acirramento da disputa com Slim.
Para o Brasil, São Paulo é o grande terreno a ser conquistado. A Oi vem nos últimos meses investindo em publicidade no Estado - especialmente na capital -, tentando atrair usuários de celulares. A empresa faz até mesmo anúncios em jornal solicitando espaços para a instalação de antenas. Apesar de todo o esforço, a companhia sabe que não é apenas com crescimento orgânico que será capaz de competir com a Vivo (joint venture entre a Telefónica e a Portugal Telecom) e a TIM (Telecom Italia).
Uma das expectativas dos administradores da empresa é de que, com as mudanças na legislação que permitirão a união de Oi e BrT, deverá se abrir também espaço para que a Telefónica assuma a operação da Telecom Italia. A espanhola faz parte do bloco de controle da italiana, mas, até agora, vinha frisando que trabalharia de forma independente no Brasil. "Se houver uma união de fato das duas no país, é bem provável que o governo determine que os espanhóis abram mão de uma das duas operações em São Paulo. Essa seria a grande chance da Oi, embora não se possa esquecer o poder de fogo dos mexicanos", diz um especialista em telecomunicações.
Os longos conflitos nas cadeias societárias da BrT e da Telemar Participações (controladora da Oi) parecem ter chegado ao fim. Mas tudo indica que o setor ainda viverá fortes emoções em um futuro próximo.