Título: Operadoras esquentam disputa por SP
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Fonte: Valor Econômico, 07/05/2008, Empresas, p. B3
Roderlei Generali, diretor da Oi em São Paulo: operadora contratou 500 pessoas para estréia na telefonia móvel A Oi (ex-Telemar) chega a São Paulo no início do segundo semestre e promete incomodar a gigante Telefônica, que não tem até agora concorrente com o mesmo perfil. A estratégia é entrar no mercado varejista não apenas oferecendo serviços triviais de telefonia celular, mas disputar o cliente de banda larga com soluções baseadas na terceira geração móvel (3G).
A Oi já atuava no mercado corporativo paulista desde que, em 2002, adquiriu a Pegasus - que por sua vez pertencia à Andrade Gutierrez, uma das acionistas do grupo de telecomunicações. Agora, essa atuação será ampliada com os chamados serviços convergentes, voz e dados com ou sem fio.
"São Paulo é um mercado do qual ninguém pode ficar de fora", diz Roderlei Generali, diretor da Oi que está à frente da operação paulista. Com o início da operação e, caso consumada a compra da Brasil Telecom, a operadora passará a ter atuação em todos os Estados brasileiros.
Generali avalia que há" muito espaço no mercado" para crescer. Lembra que o Estado mais rico do país é o único onde, por enquanto, atuam três e não quatro operadoras de celular e o número de usuários de telefonia móvel por cem habitantes é 10% inferior à do Rio de Janeiro, por exemplo. O executivo atribui essa diferença justamente ao fato de haver menos concorrência.
A interpretação de Generali pode até ser subjetiva, mas avançar no território paulista tornou-se fundamental para diversas operadoras, e não apenas de telefonia móvel.
No celular, no segmento corporativo e, mais recentemente no mercado de telefonia fixa residencial, São Paulo é palco de competição entre as empresas.
"Às vezes eu vejo análises dizendo que não existe concorrência para a Telefônica em São Paulo e eu me pergunto de que mercado essas pessoas estão falando. A competição é fortíssima em todos os segmentos", afirma o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente. Por meio da Telesp, o grupo espanhol detém a concessão da telefonia fixa no Estado.
No mercado residencial, a operadora tem perdido clientes para a Net. Dos 718 mil assinantes de telefonia que a empresa contabilizava no fim de março, entre 40% e 50% estão no Estado. "Ainda existe muito espaço para crescer em São Paulo", afirma o diretor de produtos e serviços da Net, Márcio Carvalho.
Enquanto a Net ataca o mercado varejista, a Embratel - acionista minoritária da operadora de TV - atua nesse segmento e também no corporativo. Para isso, conta com sua rede física e com novas tecnologias sem fio.
A Embratel inaugurou na sexta-feira a infra-estrutura no padrão de banda larga sem fio chamado de WiMax (sigla em inglês para interoperabilidade mundial para acesso por micro-ondas). Utilizando também a rede de cabos da Net, os planos são concorrer no mercado de pequenas e médias empresas com comunicação de voz e dados a preços atraentes, ressalta Maurício Vergani, vice-presidente da Embratel Empresas.
A operadora, que é concessionária de serviços de longa distância, também é a maior rival da Telefônica na disputa pelas contas de grandes empresas.
A Oi começou a gestar o plano de entrar no mercado paulista há tempos. "Sempre estudamos São Paulo", diz Generali. A empresa chegou avaliar a compra da antiga BCP, mas acabou não formalizando sua proposta, e a empresa foi parar nas mãos da América Móvil, que assim criou a Claro.
"Faltava unir o momento adequado para a empresa com a oportunidade de disputar uma licença", afirma o executivo da Oi. Isso aconteceu no ano passado, quando a Anatel abriu o leilão para venda de novas licenças de telefonia móvel na segunda geração (GSM) e na 3G.
Para colocar o projeto de pé, a Oi contratou 500 pessoas, que já estão instaladas novo escritório da operadora na capital paulista. A equipe administrativa foi montada e agora está sendo recrutado o pessoal de vendas.
No mercado varejista de celulares, a proposta da Oi em São Paulo será bem parecida com a estratégia que adota nos 16 Estados onde já atua. A operadora manterá, por exemplo, a orientação de vender apenas o chip do telefone móvel, em vez de subsidiar o aparelho.
No mercado corporativo, Generali informa que um dos enfoques será a prestação de serviços ao pequeno empresário, que não tem à disposição uma equipe de tecnologia da informação para ajudá-lo a utilizar melhor os recursos de telefonia. "Vamos assumir o papel de consultores para as pequenas e médias empresas", afirma.
Na Embratel, os planos não são muito diferentes, contando com o WiMax, tecnologia que permite a comunicação sem fio em residências, lojas ou escritórios. "Nossa cobertura está em 90% do Estado e estamos instalando infra-estrutura própria onde não existe a da Net, como é o caso do centro antigo de São Paulo", afirma Vergani.
O WiMax da Embratel está em toda a região metropolitana. Foi instalado em 12 cidades em todo país e a proposta é chegar a 61. O investimento total é de R$ 180 milhões. "O grande diferencial [em relação à Telefônica] é que não cobramos assinatura. O cliente paga o que usa. No caso do interurbano, trabalhamos com tarifa mais baixa. A conta apresenta uma economia que chega a 30%", diz Rodinelli.