Título: Brasília aposta em acordo com a Alemanha
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2008, Internacional, p. A11
O Brasil e a Alemanha deverão assinar um acordo de cooperação em energias renováveis e eficiência energética, durante a visita da chanceler Ângela Merkel a Brasília esta semana.
Esse acordo ocorrerá em meio a um racha na Alemanha sobre biocombustíveis. Parte do governo alemão defende moratória na produção mundial de etanol, alegando que ele destrói as florestas e é culpado pela crise alimentar em dezenas de países.
Os alemães parecem convencidos de que só pode haver produção sustentável de etanol na Europa. Berlim começa a alterar sua posição sobre a meta para os biocombustíveis representarem 10% do consumo de transporte até 2020 na Europa, que exigiria muito etanol.
Para o Brasil, o mais importante hoje em toda a discussão global sobre etanol é justamente que essa meta obrigatória na Europa seja confirmada, para a criação do mercado mundial do biocombustível, um dos planos da diplomacia brasileira. Os EUA já têm seu mercado, o Japão hesita e outros esperam o que vai acontecer na UE.
Daí a importância de o primeiro grupo de trabalho na cooperação ser sobre biocombustíveis. Pelo peso alemão e maior mercado de biocombustíveis na Europa, a discussão para cooperar pode pelo menos, na visão brasileira, dar espaço para convencer os alemães de que o etanol brasileiro respeita critérios sociais e ambientais e não tem nada a ver com o modelo de etanol americano.
O Brasil tinha apresentado uma proposta mais ampla de "acordo energético" que incluía a reestruturação do acordo nuclear de 1975. O entendimento a ser assinado inclui biocombustível (etanol, biodiesel e a segunda geração do combustível de biomassa), energia eólica e solar - áreas onde os alemães tem muita tecnologia que querem vender -, geotérmica, das marés, - mas não nuclear.
O entendimento brasileiro, porém, é de que os alemães concordaram que o acordo nuclear de l975 continua válido.(A.M.)