Título: Petrobras e PDVSA ainda discutem refinaria em PE
Autor: Schuffner , Claudia
Fonte: Valor Econômico, 13/05/2008, Empresas, p. B6
Jorge Zelada, diretor da Petrobras: "A PDVSA não vai pegar 40% da produção da refinaria e fazer o que quiser" A Petrobras ainda discute com PDVSA detalhes do contrato que prevê a participação de 40% da venezuelana na refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco. Entre os pontos em negociação estão o destino dos combustíveis que serão produzidos na futura unidade, que podem ser exportados, e a criação de uma empresa controlada pelas duas estatais que vai ser dona do ativo.
Enquanto a companhia venezuelana menciona o projeto como um dos exemplos de aliança energética entre a Venezuela e diversos países da América Latina, a Petrobras evita dar detalhes sobre o atual estágio das negociações que estão retardando a assinatura de um acordo definitivo de associação. O local da obra já foi visitado mais de um vez pelos presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez.
O diretor da área internacional da Petrobras, Jorge Zelada, disse ao Valor que ainda falta acertar detalhes do contrato, ou o que ele chamou de "acertar os instrumentos", sem especificar quais pontos que ainda estão na mesa de discussão. Segundo Zelada, existem alguns equívocos no Brasil envolvendo essa associação. Um deles seria a dedução de que a PDVSA poderá retirar um volume de combustíveis equivalente à sua participação de 40% na refinaria, para vender livremente no mercado nacional ou fora do país.
O diretor da Petrobras disse que isso não é possível, lembrando que os combustíveis vendidos no Brasil são distribuídos respeitando a participação de cada distribuidora no mercado em obediência a uma regulamentação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). E cita como exemplo o caso da Repsol, que tem 30% da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas (RS), mas não retira da unidade volume equivalente à sua participação societária.
"A PDVSA não vai pegar 40% da produção da refinaria e fazer o que quiser. Existe uma regulação sobre isso e ela precisa ter participação no mercado brasileiro de distribuição para retirar combustíveis", disse Zelada.
Inicialmente o memorando de entendimento assinado pelas duas estatais previa a participação de 40% da PDVSA na refinaria de Pernambuco, em troca do mesmo percentual de participação da Petrobras na exploração de petróleo extra-pesado no campo de Carabobo, que fica na Faixa do Orinoco, na Venezuela. Mas análises posteriores sobre as reservas do local e o custo do investimento, que exige a instalação de unidades "melhoradoras" para aumentar a qualidade do petróleo, levaram a Petrobras a reduzir sua potencial participação no projeto para 10%. E não há decisão tomada até agora. "Ainda estamos analisando (a participação), vai depender do tipo de óleo, do que fazer com a produção e da avaliação econômica", disse o diretor.
-------------------------------------------------------------------------------- A manutenção do monopólio da estatal Pemex no México desestimula projetos da Petrobras no país --------------------------------------------------------------------------------
Sobre a reforma do setor de petróleo no México, que chama a atenção de todas as companhias que operam no lado americano do Golfo - o governo americano arrecadou US$ 6,58 bilhões nas licitações promovidas nos últimos sete meses para exploração em seu território - Zelada disse que da forma como foi proposta, com a manutenção do monopólio da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), ela não é atrativa para a Petrobras. Esse ponto foi frisado, na semana passada, pelo diretor da área internacional como pelo presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, que esteve em Houston durante a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, no Texas, com o presidente da Pemex, Jesús Reyes Heroles.
"A Petrobras não é uma empresa de serviços, é uma operadora que procura ter ativos de petróleo. Se o México só quer atuar com empresas de serviços, e não me cabe aqui discutir a reforma que aquele país está conduzindo, a Petrobras não pode ser parceira", disse Zelada.
O gerente geral da Petrobras no México, Milton da Costa Filho, foi mais cauteloso e didático. "Temos uma demanda muito forte por investimentos em outras áreas. O ponto principal é que os serviços podem até ser interessantes, mas quando se compara com outros projetos da Petrobras a demanda em termos de recursos humanos e financeiros, no momento, não interessa", explicou Milton da Costa Filho, lembrando contudo que o projeto proposto poderá ser modificado pelo Congresso até julho.
A Pemex precisa aumentar sua produção de petróleo que está declinando principalmente no campo de Cantarell, o maior produtor do país. No ano passado o México produziu 3,082 milhões de barris de petróleo e gás por dia, volume que caiu para 2,876 bilhões de barris/dia no primeiro trimestre de 2008. Os números foram apresentados recentemente pelo diretor geral de exploração e produção da Pemex, Carlos Arnoldo Morales Gil, no Senado mexicano.
O objetivo do país é confirmar reservas prováveis de 53,8 bilhões de barris de petróleo e gás em águas profundas das bacias do Sudeste e Tampico-Misantla, principalmente. E das reservas atuais, 83% apresentam alto nível de complexidade para extração, já que será preciso usar processos de recuperação secundárias (injeção de água ou gás) o que torna o processo mais caro. Para facilitar investimentos, a reforma em análise prevê a modificação do regime tributário para a exploração em águas profundas e campos maduros e a possibilidade de investimentos privados em transporte e armazenamento de combustíveis e no refino, este último na modalidade de prestação de serviços na qual a Pemex entrega o petróleo e recebe todos os derivados.