Título: Galvani muda gestão e amplia aportes no setor de fertilizantes
Autor: Lopes , Fernando
Fonte: Valor Econômico, 16/05/2008, Agronegócios, p. B11
O diretor Cláudio Fernandes: investimentos programados em expansões deverão alcançar R$ 45 milhões em 2008 Uma das poucas empresas que atuam em toda a cadeia de fertilizantes fosfatados no país, desde as atividades de mineração até as vendas de produtos acabados aos agricultores, a brasileira Galvani iniciou uma profunda reestruturação para melhorar a gestão, recuperar o fôlego financeiro e voltar a investir em novos projetos de expansão.
Criado em 1934 em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, com foco inicial nos segmento de bebidas e transportes, o grupo firmou-se na área de adubos na década de 1970, a partir da construção de um terminal próprio de granéis sólidos no porto de Santos. Em 1978, já tinha um entreposto de fosfato em Paulínia, mais perto da operação portuária; em 1983, no mesmo município, começou a implantar seu primeiro complexo industrial.
Hoje conta com oito unidades espalhadas pelos Estados de São Paulo, Bahia, Minas, Mato Grosso, Ceará e Sergipe, emprega 1,8 mil pessoas e faturou R$ 480 milhões em 2007, quando suas vendas de fertilizantes superaram 1 milhão de toneladas. Está melhor posicionada na região central do país - num eixo que, a grosso modo, vai do Paraná ao Mato Grosso, com um apêndice importante no oeste baiano - e, segundo especialistas, tem potencial para crescer, desde que removidos os obstáculos que a tornaram, nos últimos anos, coadjuvante no mercado.
As mudanças já começaram, até porque a atual rentabilidade das operações as estimulam. Com a demanda por fertilizantes superaquecida e os preços internacionais - e, consequentemente, também os domésticos - em patamares estratosféricos, as empresas do segmento em geral estão comemorando fortes elevações de margens e lucros.
Desde janeiro, os irmãos Rodolfo, Ronaldo e Roberto Galvani, a segunda geração no comando, deixaram de participar diretamente da gestão diária da empresa - que já virou uma S.A. de capital fechado - e passaram ao conselho de administração, abrindo espaço para a contratação de profissionais do mercado.
Luiz Antonio Bonagura, que nos últimos anos ocupou o cargo de diretor de administração, finanças e relações com o mercado da Fosfertil - maior fabricante de matérias-primas para adubos do país -, assumiu a presidência da Galvani, e outros conhecidos executivos do segmento vieram com ele. É o caso de Cláudio Fernandes, que após 17 anos na Bunge assumiu a diretoria industrial.
Fernandes conta que, para este ano, início da virada prometida, a Galvani já elevará seus investimentos. Serão cerca de R$ 45 milhões, para melhorar e ampliar as instalações existentes. O volume de vendas vem aumentando e é preciso otimizar as operações antes de partir para projetos maiores, que dependerão de um melhor equilíbrio financeiro.
Segundo o Valor 1000, a Galvani teve prejuízo de R$ 25,6 milhões em 2006. Em 2007, Fernandes limita-se a informar que houve lucro operacional, mas não fala sobre o resultado líquido. Há dois anos, diz, as contas da empresa são alvo de auditorias externas. "Sistematicamente temos tido resultados positivos, e vamos continuar com a política de reinvestir esses resultados no negócio", afirma.
Se tudo correr como a Galvani espera, em breve a empresa também poderá pensar em passos maiores. O principal deles é aprofundar as pesquisas para a abertura de uma nova mineração em Patrocínio, em Minas. Ao lado, a Fosfertil está acelerando estudos para o desenvolvimento de um projeto que, se de fato sair, poderá fazê-la dobrar de tamanho.
Como a Fosfertil, a Galvani também está otimista com Patrocínio. A empresa estuda a jazida há alguns anos. São duas as áreas de exploração, mas só uma está sendo avaliada. Ali, para o estabelecimento de um complexo com mineração, concentração e industrialização, é necessário um investimento de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões.
No pacote de R$ 45 milhões já definido para 2008, Fernandes realça os R$ 6 milhões que serão destinados a ações ambientais. No passado a Galvani chegou a ficar conhecida pelo passivo nessa frente, mas o executivo garante que foram aplicados R$ 20 milhões nos últimos três anos em projetos ligados ao meio ambiente e que a imagem da companhia hoje é outra.
Com melhorias obtidas, afirma, a companhia passou a integrar a Chicago Climate Exchange (CCX), que regula a comercialização de créditos de carbono. É a primeira empresa do segmento a ingressar nesse mercado, feito alcançado a partir de um projeto de substituição de óleo por biomassa em caldeiras e fornalhas.
A retomada da Galvani vem sendo acompanhada de perto pela concorrência. A empresa "sobreviveu" ao intenso processo de concentração do segmento nas últimas duas décadas, marcado por uma seqüência de aquisições de empresas nacionais por estrangeiras, mas executivos da área acreditam que, remodelada, a Galvani voltará a ser mais assediada, sobretudo em tempos de escassez de oferta do insumo no mundo. Fernandes diz que o grupo não pensa nisso, apesar de não descartar associações ou parcerias em seu atual momento de expansão. Por enquanto, também não há sinais de abertura de capital em bolsa.