Título: Combate sem quartel ao crack
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 19/02/2011, Opinião, p. 22
Vêm ao encontro dos anseios da sociedade as palavras de Dilma Rousseff no seminário de implementação dos Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas. A presidente promete ¿luta sem quartel¿ ao mal que corrompe a juventude brasileira. As linhas de atuação se baseiam em três eixos básicos. Um deles: a prevenção. Outro: o tratamento e reinserção. O último: o combate à criminalidade. Em março, 46 instituições de nível superior começarão a qualificar profissionais para atuar na área.
Durante a campanha eleitoral, a então candidata ao Palácio do Planalto deu especial atenção ao assunto. Visitou instituições que tratam dependentes e conversou com familiares que vivem o drama de ter um membro viciado em uma ou mais drogas. Fez promessas que se enquadram nas diretrizes ora anunciadas. Espera-se que os frutos comecem a ser colhidos sem demora. Tempo, no caso, é vida.
O crack é a maior tragédia da sociedade moderna. O preço baixo o democratiza. Torna-o acessível a pobres e ricos. As primeiras vítimas são crianças, adolescentes e jovens. Adultos também engrossam as fileiras dos consumidores. Nas tristes cracolândias das grandes cidades, perambulam andrajos humanos à luz do dia. Para eles, presente e futuro se restringem à busca da pedra.
É importante restabelecer os laços sociais dos dependentes, que se rompem ao longo do caminho muitas vezes sem volta. A cumplicidade de amigos e familiares contribui para atrair os desgarrados para a sociedade saudável. O custo e o tempo necessários para o resgate ensinam que a prevenção deve merecer atenção especial. O combate ao traficante corre nessa raia, mas não constitui tarefa fácil por negociar no pequeno varejo. Acabar ou restringir substantivamente a oferta fecha a porta de entrada de novos usuários.
As palavras da presidente são, pois, bem-vindas. Espera-se que virem ações efetivas e rápidas. O crack é das drogas mais devastadoras entre as que circulam no mercado. Além de comprometer seriamente o organismo, cria dependência no primeiro contato. Os jovens, em busca de afirmação e aceitação no grupo, são presas fáceis de traficantes. Para alimentar o vício, tornam-se multiplicadores do mal. As famílias, cada vez mais desestruturadas, nem sempre se dão conta da tragédia a tempo. Quando, alertados pela escola ou pelo comportamento incomum do jovem, abrem os olhos para a realidade, já é tarde. Impõe-se, como frisou a presidente, combater a droga antes que chegue ao consumidor. É o futuro que está em jogo.