Título: Prefeitos do PT de Minas apóiam aliança com tucanos em BH
Autor: Jorge , Danilo
Fonte: Valor Econômico, 29/05/2008, Política, p. A8

Lacerda monta equipe de campanha: "Esse grupo será ampliado à medida que outros partidos estiverem agregados" O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), comanda hoje a ofensiva final para tentar derrubar o veto imposto pela executiva nacional da legenda à aliança com o PSDB na sucessão municipal da capital mineira. Em Brasília, o prefeito, um dos principais articuladores da aproximação com os tucanos, participa de encontro das lideranças do grupo Construindo um Novo Brasil (CNB), que detém 43% dos 84 votos do diretório nacional do PT, instância que irá decidir a sorte da coligação em reunião marcada para amanhã.

No encontro de hoje, Pimentel entregará nas mãos do presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, um manifesto a favor da aliança assinada por 51 prefeitos e 23 vices do partido em Minas Gerais, onde a legenda comanda o executivo de 84 cidades. Essa lista poderá ser reforçada por mais 10 adesões até sexta-feira, antes da reunião do diretório nacional, segundo Carlinhos Rodrigues, prefeito de Nova Lima (MG), um dos que assinam o documento.

"Começamos a colher as assinaturas na tarde de ontem (terça-feira), depois que o presidente Lula se encontrou com Pimentel e o governador Aécio Neves", disse Rodrigues. "A partir do momento em que o Lula se alinhou com o nosso campo, entendemos que o diretório nacional deve derrubar o veto, pois, caso contrário, ficará contra a nossa liderança maior", acrescentou.

A intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo sucessório de Belo Horizonte, que chegou a telefonar a Berzoini manifestando apoio à dobradinha PT/PSDB, é outro trunfo de Pimentel na sua ofensiva. Pelos cálculos do secretário nacional de assuntos institucionais do partido, Romênio Pereira, a aliança já conta com o apoio certo de 20 membros do diretório nacional. Ele espera a adesão de mais 12 a 14 lideranças do grupo CNB. Dessa forma, o desafio de Pimentel será angariar algo entre 21 a 23 votos adicionais a partir de hoje, para fazer vitoriosa a tese da coligação com o PSDB. "Estou confiante num resultado positivo, mas avalio também que tanto o PT quanto Pimentel deverão ceder em algum ponto", disse Pereira.

Os articuladores da coligação, entretanto, não trabalham com alternativas no caso de o diretório nacional manter o veto ao apoio do PSDB à chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB). O governador Aécio Neves, por exemplo, disse ontem que a decisão que será tomada pelo PT não vai alterar a estratégia já delineada. "Essa decisão do PT, que eu espero possa ser na direção do que quer a população de Belo Horizonte, autorizando a aliança, não muda a nossa estratégia. Nós apoiaremos o candidato do PSB, com uma ampla aliança, com o apoio também, certamente, do prefeito Fernando Pimentel".

Márcio Lacerda, que deixou ontem o comando da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, começa na semana que vem a montar a equipe responsável pelo programa de governo que pretende defender na eleição deste ano. Os nomes que integrarão a equipe não estão definidos, segundo ele, mas deverão sair, inicialmente, do PT, PSDB e PSB. "Esse grupo será ampliado à medida que outros partidos estiverem agregados ao processo", afirmou.