Título: Petrobras cobra definições da EPE para viabilizar GNL
Autor: Schüffner , Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 03/06/2008, Empresas, p. B8
Maria da Graça, da Petrobras: "Não vou comprar GNL para deixar estocado" A Petrobras mandou ontem um recado para a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) dizendo esperar preço-teto e custo variável unitário (CVU) adequados para que novas térmicas movidas a gás natural liquefeito (GNL) tenham competitividade no próximo leilão de energia, marcado para agosto.
A diretora de gás e energia da Petrobras, Graça Foster, condicionou inclusive a construção de um terceiro terminal de GNL no país, desta vez na região Sul, a volumes adicionais entre 2 e 4 milhões de metros cúbicos do insumo. Para isso se tornar realidade, novas térmicas terão que ser contratadas no próximo leilão da EPE para então assinarem contratos de suprimento com a Petrobras. Graça frisou que a companhia não comprará gás liquefeito para fazer estoque de modo a atender quem não tem contrato. "O melhor estoque do mundo é o estoque zero. Não vou comprar GNL para deixar estocado e atender ao mercado no futuro."
Atualmente a única cliente do GNL da Petrobras é Furnas Centrais Elétricas, que assinou um contrato para suprimento de 2,4 milhões de metros cúbicos/dia na térmica de Santa Cruz a partir de 2012. A estatal também usa GNL como combustível de suas próprias termelétricas, que têm contrato de venda de energia elétrica ou que fazem parte do Termo de Compromisso assinado entre a estatal e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A diretora de Gás e Energia admitiu que os novos preços negociados com as distribuidoras de gás - que prevê a modalidade interruptível - não refletem o atual preço do barril de petróleo, que está na faixa de US$ 130. Foram assinados contratos de venda de 47 milhões de metros cúbicos de gás/dia, dos quais 36,6 milhões na modalidade firme inflexível, ou seja, que não podem ter o suprimento interrompido. Os preços foram fechados considerando faixa entre US$ 50 e US$ 80 por barril do petróleo Brent para a parcela que varia de acordo com uma cesta de óleos no mercado internacional. Os contratos com as distribuidoras que compram gás nacional prevêem reajustes trimestrais escalonados até outubro de 2009. Segundo Graça, isso não significa que a Petrobras esteja tendo perdas.
"No conjunto da companhia existem compensações para essa situação. Mas em termos práticos, hoje o preço do gás que chega às distribuidoras já não reflete, do ponto de vista do negócio de gás e energia, esse preço de US$ 130 o barril", admitiu a diretora, dizendo que apesar disso não há previsão de reajustes.
Graça Foster explicou que se for construído, o novo terminal de GNL ficará em Santa Catarina ou Rio Grande do Sul, tendo capacidade para regaseificar 14 ou 20 milhões de metros cúbicos. O prazo seria 2013 e o custo de construção, segundo ela, não seria inferior a US$ 400 milhões.
A Petrobras assinou ontem mais um contrato de suprimento de GNL, desta vez com a BG. O contrato prevê a compra de GNL para regaseificação primeiro no terminal de Pecém, no Ceará, e depois no terminal do Rio. A BG vai entregar a primeira carga de GNL importado no Brasil em julho, quando a Petrobras vai iniciar os testes em Pecém. O vice-presidente do grupo BG, Martin Houston, chamou a atenção para o fato de esse ser o primeiro contrato de venda de gás da BG para a Petrobras, de quem a companhia inglesa compra o insumo para atender o mercado da Comgás, distribuidora que a BG controla junto com a Shell.
"Esse acordo significa nosso compromisso com o Brasil e nossa intenção de ter um relacionamento de longo prazo com a Petrobras", disse Houston. O executivo informou ainda que a BG não tem planos de construir um terminal de GNL no Brasil, pelo menos no curto prazo.