Título: Banco médio capta US$ 655 milhões em menos de 2 meses
Autor: Carvalho, Maria Christina
Fonte: Valor Econômico, 09/06/2008, Finanças, p. C8

Os bancos médios captaram US$ 655 milhões no mercado internacional no espaço de pouco mais de um mês, entre alguns dias da agência de avaliação de risco Standard & Poor"s (S&P) conceder o primeiro grau de investimento ("investment grade") do Brasil e outra agência, a Fitch, reafirmar a avaliação.

No final de maio, o BicBanco captou US$ 50 milhões em uma reabertura de uma operação realizada um mês antes, quando levantou US$ 130 milhões. O Banco BMG levantou US$ 200 milhões; e o Panamericano, US$ 130 milhões. Já no início deste mês, o Banco Fibra fez uma emissão de US$ 150 milhões; e o Daycoval, de US$ 125 milhões. Aguarda-se para os próximos dias o fechamento da operação do Banco Pine, que pretendia colocar US$ 100 milhões.

Os bancos médios foram ao mercado internacional para buscar fundos para suas crescentes operações de crédito. Os bancos médios estão ampliando o crédito mais do que as grandes instituições de varejo há alguns trimestres. Os bancos médios ampliaram o crédito em 60,4% nos doze meses terminados em março, pouco mais do que o dobro dos grandes, que registraram aumento de 27% nas carteiras no mesmo espaço de tempo.

Apesar do "investment grade" obtido para a dívida soberana brasileira, o custo do dinheiro externo ainda está ligeiramente salgado em comparação com o funding local. Mas, os banco médios brasileiros buscam recursos no exterior para diversificar as fontes de funding e, principalmente, porque as captações externas possuem prazos mais adequados para lastrear o financiamento ao consumo, informou o diretor executivo e de relações com investidores do Daycoval, Morris Dayan.

Pouco depois de fazer a captação externa, o Daycoval lançou um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) lastreado em financiamento de veículos, que deve levantar de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões.

Segundo Dayan, a captação de recursos externos é mais cara do que os FIDCs que, por sua vez, são mais caros do que os depósitos a prazo. Mas, tanto as captações externas quanto os FIDCs são adequados para lastrear as operações de varejo.

O banco financia veículos, carteira cujo prazo médio é de 20 meses. Já os depósitos a prazo casam melhor com os empréstimos a empresas, operações em geral com menos de 180 dias. O bônus do Daycoval deu um retorno de 7% para os investidores. Já o FIDC vai pagar o equivalente a 110% da taxa interbancária (CDI). E os depósitos a prazo saem por pouco mais de 105% do CDI.

Cássio Von Gal, diretor da área de negócios do Banco Fibra, que acaba de fechar uma captação externa de US$ 150 milhões pelo prazo de três anos e há cerca de dois meses levantou outros US$ 150 milhões por dois anos, tem a mesma opinião. "Essas operações dão folga para o financiamento ao consumo feito pelo banco, que tem um perfil mais longo do que o crédito para o middle market", afirmou. O Fibra pode voltar a analisar outras oportunidades de captação no segundo semestre.

Entre os 14 bancos médios selecionados no ranking dos 50 maiores, elaborado pelo Banco Central (BC), há quatro que simplesmente dobraram a carteira de crédito nos doze meses terminados em março.

O Pine aumentou a carteira em 107,7%; o Daycoval, em 105,5%; o Cruzeiro do Sul, em 106,8%; e o Indusval, em 121,3%. Entre os grandes bancos de varejo, o que mais ampliou o crédito foi o Unibanco, 34,7%, e ficou bem distante dos líderes entre os médios.

Um ponto em comum entre os bancos médios que lideraram em expansão do crédito foi o fato de terem passado por processos de abertura de capital e lançamento inicial de ações (IPO, na sigla em inglês, no ano passado). Já o Fibra, que preparava uma emissão de ações e abortou o processo por causa das condições de mercado, aumento a carteira de crédito em 42,7% nos doze meses terminados em março, de acordo com dados do Banco Central.

Tanto o Daycoval quanto o Fibra são bancos tradicionalmente especializados em crédito para empresas médias ("middle market"). Ambos, porém, diversificaram os negócios em 2007, operações de varejo como consignado e financiamento de veículos.