Título: Para Embraer, oportunidades estão indefinidas
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 09/06/2008, Empresas, p. B8

A Embraer prevê que a desaceleração da economia dos Estados Unidos e a explosão do preço do petróleo forçarão mudanças importantes na aviação comercial, cujo impacto nos negócios da empresa ainda não é possível avaliar.

O terceiro maior construtor aeronáutico do mundo projeta consolidação, fusão e menor quantidade de novas companhias aéreas; corte de capacidade nas frotas, principalmente nos Estados Unidos; e aumento dos preços das passagens, com queda na demanda por aviões. Também espera busca adicional por eficiência, como corte de custos e maior utilização de aeronaves, além de aposentadoria mais rápida dos aviões velhos.

Nesse cenário, a companhia brasileira aguarda para ver até que ponto essa situação se transformará em "oportunidade adicional" para seus jatos regionais.

"Para os próximos dois anos, o cenário para nós não se altera, mas as mudanças são tão grandes que é difícil prever o que acontecerá em 2010'', afirmou o vice-presidente de inteligência de mercados da Embraer, Luiz Sérgio Chiessi, durante um evento em Paris, na sexta-feira.

"Estamos no meio da confusão de redução de atividade da economia americana e alta do preço do petróleo; não dá ainda para dizer se haverá mais oportunidades ou ameaças'', acrescentou o executivo. "Se houver acomodação da demanda, só vamos perceber dentro de dois anos'', afirmou Antonini Puppin Macedo, diretor de novos projetos.

Chiessi nota que entre 2006 e março deste ano, surgia uma companhia aérea por semana. Ou seja, há excesso de oferta e para encher os aviões, as companhias são obrigadas a baixar os preços cada vez mais.

Para o construtor, a principal diferença de custos operacionais entre jatos pequenos e grandes é decorrente da distância que as aeronaves voam, não do tamanho do aparelho. Assim, os preços do petróleo afetam tanto os grandes aviões como os pequenos.

A Embraer calcula que, por viagem, seu aparelho de 120 lugares é 20% mais barato que o Airbus 319 . Segundo a empresa, seus aparelhos já substituem aviões maiores em 53% dos casos, levando companhias a aumentarem o número de vôos com custos menores.

Estimativas da companhia mostram também que quase 700 aparelhos de 61 a 120 assentos (26% do total dessa categoria) precisarão ser substituídos nos próximos anos, por causa dos custos de combustíveis e de exigências ambientais.

Nos Estados Unidos, de um total de 1,3 mil jatos regionais de até 50 assentos, a empresa calcula que 250 serão removidos do mercado nos próximos cinco anos, também podendo ser substituídos por jatos maiores, de 70 lugares.

Em contrapartida, outros mercados devem expandir-se para os jatos de 50 lugares, em países da América Latina, além de China, Rússia, México e África.

No evento em Paris, a Embraer colocou ênfase na sua produção de jatos executivos. A empresa projeta demanda global de 13 mil aparelhos, com faturamento de US$ 201 bilhões nos próximos 10 anos nesse setor, e quer abocanhar uma parte crescente.

A entrega global de jatos executivos aumentou quase 30% no ano passado, impulsionada por crescimentos econômicos nos países emergentes. A demanda é tão forte que o preço dos aviões usados também está em alta. Hoje, 73% dos aviões executivos à venda têm mais de 10 anos.

A falta de pilotos também afeta os custos da aviação executiva. Preocupações ambientais e infra-estrutura também são pontos negativos nesse mercado.

Nesse cenário, a Embraer implementará em 2009 um programa para compensação das emissões de gases de efeito-estufa de aviões executivos. A empresa anunciará em breve a seleção dos projetos ligados à preservação de florestas no Brasil. O cliente que aceitar fazer uma compensação pela poluição que provoca com seus vôos, saberá que seu pagamento foi destinado a um projeto específico.