Título: Lula mostra indignação e pede resposta efetiva
Autor: Lyra , Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 18/06/2008, Política, p. A6
A cúpula do governo classificou de "ingerência pessoal criminosa" a ação dos 11 militares do Exército que entregaram três rapazes do Morro da Providência, no centro do Rio, para serem executados por traficantes do Morro da Mineira. Antes da reunião de coordenação política realizada na manhã de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e disse que estava "indignado" não apenas pelo fato em si, mas por ele ter sido patrocinado pelas Forças Armadas.
No encontro, Jobim e o comandante do Exército, Enzo Peri, comunicaram a Lula que iriam ao Rio visitar as obras no Morro da Providência e acompanhar de perto as investigações sobre o caso. Lula avisou ao ministro que era importante que o governo desse uma resposta efetiva ao ocorrido.
O assunto voltou a ser tratado pelo núcleo central do governo, na reunião de coordenação política. A avaliação geral é de que o Exército não tem responsabilidade no episódio. Segundo o presidente, os militares estão no local para cuidar das obras no Morro da Providência. "Praticou-se um crime e os criminosos precisam ser identificados e punidos de maneira exemplar. Mas a instituição Exército não pode ser prejudicada por isso", declarou um ministro palaciano.
Ainda não há uma definição, contudo, se o Exército deixará ou não o local. Na manhã de ontem, o general Mauro Cesar Cid, comandante das equipes que garantem a segurança dos engenheiros na favela, reuniu-se com os moradores da favela e avisou que, até quinta-feira, as obras devem estar concluídas. Depois disso, poderá ser feita uma reavaliação sobre a permanência ou não das tropas no Morro da Providência. Jobim foi mais cauteloso e preferiu ressaltar a importância da presença militar para assegurar as obras no projeto Cimento Social, financiado por emendas parlamentares do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
O ministro da Justiça, Tarso Genro, não quis opinar sobre a permanência ou não do Exército no morro fluminense, mas disse que o Exército é "inapto" para se envolver em ações que envolvam segurança pública. "Essa é a minha opinião e também a do presidente", afirmou Genro durante solenidade de posse de três ministros do Superior Tribunal de Justiça. (Com agências noticiosas)