Título: Depois do vendaval
Autor: Felipe Frisch
Fonte: Valor Econômico, 02/02/2005, EU &, p. D1
A queda de 7,05% do Ibovespa no primeiro mês do ano não deve tirar o ânimo dos investidores, dizem os analistas. Para fevereiro, as corretoras que compõem a Carteira Valor enxergam boas oportunidades na bolsa, agora com preços mais baixos do que os do fim do ano passado. No mês passado, o portfólio sugerido teve perda de 6,3%, resistindo em parte à queda do principal índice do mercado. Entre as recomendações para esse mês, chama a atenção a presença de dois papéis do setor bancário: Bradesco PN - pela última vez na carteira em novembro de 2002 - e Itaú também preferencial - de fora desde novembro de 2001. O chefe de análise da ABN Amro Real Corretora, José Francisco Cataldo, vê potencial de valorização entre 25% e 30% para o setor após as recentes quedas. Se a taxa de juros alta desestimula o investimento em ações, os bancos têm ganhos em suas aplicações e no crédito, favorecido pelo aquecimento interno. Vanessa Ferraz, da Itaú Corretora, destaca ainda a melhora da qualidade das carteiras de crédito dos bancos com a recuperação da renda. Também beneficiadas pelo consumo interno, as ações preferenciais da Perdigão ocupam o lugar que foi das ações da Sadia no mês passado. "A Sadia diz que teve resultado mais fraco no quarto trimestre pelo aumento do frete, enquanto a Perdigão informou que vai mostrar bons números", diz Tatiane Pereira, da Coinvalores. O setor, segundo ela, está sendo beneficiado pela queda nos preços da soja e do milho, seus principais custos. Além disso, há expectativa de abertura neste ano dos mercados chinês e coreano - rígidas na vigilância sanitária - para o frango brasileiro. O preço alvo da analista para Perdigão PN é R$ 63,00. As mineradoras fazem uma "dobradinha" nas indicações dos analistas, entre as ações preferenciais da Companhia Vale do Rio Doce e sua controlada Caemi, com a expectativa da negociação internacional de preços para o minério de ferro. Poucos acham prováveis os 90% desejados pela Vale, mas a valorização do setor deve prevalecer enquanto não houver definição - o que em 2003 ocorreu apenas em maio -, já que a expectativa era de até 30% em dezembro. Algumas siderúrgicas já disseram que podem aceitar até 50%, dizem analistas. Para os analistas da Socopa, o objetivo do reajuste é reduzir a defasagem em relação ao setor de siderurgia, que "explodiu" no ano passado. A projeção da corretora para Vale PNA é de R$ 83,00. As preferenciais da Petrobras continuam no topo das recomendações. Para a Bradesco Corretora, a recomendação se deve à expectativa de crescimento de 12% da produção de petróleo este ano - frente aos 3% do ano passado - com a entrada em atividade nesse e no próximo mês das plataformas P-43 e P-41. A expectativa é de que o Brasil se torne auto-suficiente em petróleo para óleos pesados até o começo de 2006. Além disso, hoje alguns derivados, como o diesel, estão custando mais aqui do que lá fora, mas analistas não esperam um reajuste para baixo, já que a alta no ano passado demorou. O preço estimado do ABN para Petrobras PN e ON é de R$ 141,72.