Título: Governo já investiga PAC, diz Lula
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 25/06/2008, Brasil, p. A4

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem uma defesa enfática e irritada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), alvo de denúncias de desvios de verbas detectados pela Operação João de Barro da Polícia Federal. Lula disse, durante cerimônia de assinatura de ordens de serviços do PAC Saneamento e Habitação, que, das 119 cidades investigadas na operação, apenas 37 têm obras do PAC e somente em oito elas efetivamente começaram. O volume de recursos já liberados para essas localidades, disse, é "de apenas R$ 15 milhões, menos de 1% do total previsto".

Para Lula, o PAC está sendo visto da mesma forma como o Bolsa Família foi no seu primeiro mandato. "Quando apareceu o Bolsa Família, achavam que não ia dar nada. Agora, somos elogiados pelo 'New York Times' e pelo Banco Mundial por termos implantado o melhor programa de distribuição de renda do mundo", disse o presidente. Lula afirmou que o governo não vai compactuar com desvios de recursos em seu principal programa. Mas atacou aqueles que já condenam os envolvidos nas primeiras denúncias. "A loucura que está impregnada na cabeça dos julgadores, que esquecem que antes é preciso provar a culpa", afirmou. O presidente acrescentou que as investigações seguem em segredo de Justiça.

De manhã, em São Paulo, Lula havia dito que não é preciso "intermediário" entre o governo federal, municípios e Estados, para transferência dos recursos para as obras do PAC. Segundo ele, é importante que o governo faça convênios com as prefeituras e acompanhe "cada real" que envia para os municípios para saber se está sendo aplicado corretamente. "O que as pessoas têm que entender é que não precisa de intermediário para aquele dinheiro chegar na conta da prefeitura", afirmou o presidente.

Lula também disse que o PAC está sofrendo investigação do próprio governo por meio da Controladoria-Geral da União. Segundo ele, as pequenas obras têm menos visibilidade e, portanto, menor fiscalização da opinião pública. O presidente se recusou a comentar decisão da Justiça do Rio de Janeiro, que considerou as obras no morro da Providência como propaganda eleitoral para o senador Marcelo Crivella, que é candidato a prefeitura da capital carioca. "É muito difícil um presidente da República dar palpite na decisão da Justiça, mesmo que seja na primeira instância."

Na cerimônia em Brasília, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, agradeceu a parceria firmada entre seu ministério, a Controladoria-Geral da União e a Caixa Econômica Federal para assegurar a boa aplicação das verbas do PAC. Disse que a Polícia Federal só entra no processo quando há de fato indícios de irregularidades e acrescentou que operações como a João de Barro têm o poder de inibir aqueles que lançarem "olho gordo sobre as obras do PAC". Para Dilma, o programa, especialmente a parte de saneamento e habitação, entra agora em "velocidade de cruzeiro", já que a maior parte das obras está em condições de ser iniciada. (colaborou Raquel Landim, de São Paulo)