Título: Tarso quer sindicância de ação da PF
Autor: Basile , Juliano
Fonte: Valor Econômico, 10/07/2008, Brasil, p. A4

O ministro da Justiça, Tarso Genro, determinou, ontem, a abertura de sindicância pela Polícia Federal para apurar eventuais abusos nas prisões do banqueiro Daniel Dantas, do empresário Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta durante a Operação Satiagraha.

A prisão dos três foi filmada por emissora de televisão, o que vai contra o Manual de Instruções da PF. "O documento proíbe a divulgação de informações e imagens que exponham indevidamente pessoas presas por determinação judicial", informou, em nota, o Ministério da Justiça. "Agora, queremos saber quem violou e por quê", disse Genro.

O ministro pediu desculpas publicamente às empresas de comunicação que não tiveram acesso às imagens. "Nenhuma empresa deveria ter recebido qualquer informação antecipada, mas houve um encaminhamento de uma concorrência desleal, não provocado pela empresa, mas por alguém que fez essa informação transitar de forma indevida." Ele ressaltou que a sindicância não será sobre o trabalho da imprensa, mas sim quanto a um procedimento violado "por alguém de dentro da própria PF". Por outro lado, disse que o erro da PF "não tira a centralidade e a importância do inquérito".

Genro disse ainda que as operações decorrem de uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "combater o crime sem tréguas". Ele lembrou que as operações em andamento da PF continuarão, independentemente dos atingidos. "Se respingar em determinadas pessoas, seja de que partido for, da oposição ou do governo, em ocupantes de cargos públicos ou de empresas privadas, isso é secundário", enfatizou.

Ontem, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu comentou a operação da PF em seu blog. No texto "De novo envolvem-me com o que nada tenho a ver", Dirceu reiterou que é inocente e que não tem "qualquer relação pessoal, de amizade, profissional ou de negócios" com Dantas, Najas e Pitta. Ele destacou que Dantas não é cliente nem de seu escritório de advocacia nem de sua empresa de consultoria.

Dirceu criticou também "o vazamento ilegal de informações". "A imprensa e os promotores recebem informações sigilosas, usam-nas como bem entendem e fica por isso mesmo. Até quando?" Pelo o que foi divulgado, ainda não se sabe se houve eventual participação de Dirceu no esquema.(Juliano Basile; colaborou Cristiane Agostine, de São Paulo)