Título: ACM o alertava sobre risco de isolamento
Autor: Basile , Juliano
Fonte: Valor Econômico, 10/07/2008, Brasil, p. A4
Sempre próximo a Daniel Dantas, o senador Antonio Carlos Magalhães nutria admiração pelo banqueiro, mas o alertava sobre o perigo de se cultivar inimigos. "No dia em que Daniel cair, ninguém vai estender a mão e ajudá-lo a se levantar, pois ele briga e faz inimigos por onde passa", dizia ACM.
Em Salvador, cidade onde praticamente toda a elite se conhece desde a infância, o banqueiro é visto por empresários como um homem de poucos amigos, mais chegado a uma discussão com advogados do que conversas descontraídas nos restaurantes baianos.
Apesar da resistência ao convívio social, Dantas sempre foi bastante próximo do senador ACM. Era consultado sobre assuntos econômicos e financeiros e também assessorava o senador a respeito dos investimentos da família no exterior. Em entrevista recente à revista "Metrópole", Angelo Calmon de Sá, o ex-dono do Banco Econômico, disse que, no dia que o Banco Central realizou a intervenção no Econômico, ele e Dantas estavam no gabinete do senador ACM em Brasília acompanhando tudo.
Fontes próximas ao senador dizem que as relações de Dantas com o cacique baiano estremeceram após isso, pois ACM desejaria que o banqueiro comprasse o banco Econômico para evitar a falência da instituição. Mas essa versão é contestada por alguns que lembra que ACM saiu em defesa do nome de Dantas para o cargo de ministro da Fazenda do governo Collor.
As relações de Dantas na política baiana percorrem todo o espectro político. O governador Jaques Wagner (PT) já declarou ser amigo de de Guilherme Sodré, assessor do banqueiro, também investigado pela Polícia Federal. Hoje, o Palácio de Ondina, residência oficial do governador, tem toda sua organização comandada por Adriana Tourinho, atual mulher de Sodré. Publicitário, mas médico por formação, Sodré é ex-marido e pai do filho da primeira-dama baiana, Fátima Mendonça, que também mora no palácio soteropolitano.
Sodré, que há seis anos foi demitido da agência publicidade Propeg por suspeita de desvio de dinheiro, foi, segundo o governador da Bahia, quem pediu emprestado a Zuleido Veras, dono da Gautama, o iate em que Wagner e a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, passearam pela Baía de Todos os Santos em novembro de 2006.