Título: Segundo mandato prevê recursos externos
Autor: Patrick Cruz
Fonte: Valor Econômico, 31/12/2004, Política, p. A6
O prefeito reeleito do Recife, João Paulo (PT), pretende fazer de sua segunda gestão um marco de continuidade governamental. "Passamos a governar para a cidade como um todo, priorizando os quase 1,05 milhão de habitantes que vivem na linha da pobreza ou abaixo dela. Este deverá ser o nosso caminho também neste segundo mandato", diz João Paulo. Como destaques de sua primeira gestão - João Paulo foi o primeiro prefeito a ser reeleito na história da capital pernambucana -, ele cita a ampliação da cobertura de saúde realizada pelos agentes do Programa Saúde da Família (PSF), que teve o número de equipes ampliado em 600%. Segundo o próprio prefeito, cerca de 6% da população do Recife com idade superior a 18 anos teve algum tipo de ação dentro do Orçamento Participativo. A redução da mortalidade infantil em 25% também é citada por ele como uma das ações mais impactantes na área de Saúde.
Em termos de infra-estrutura urbana, o prefeito destaca atitudes como a de coibir o transporte clandestino de passageiros - em parceria com o governo do Estado -, a inversão do trânsito na Zona Sul da capital; a retirada das palafitas do bairro de Brasília Teimosa, e da Beira-Rio; a construção do Canal do Cavouco; o projeto Escola Aberta - onde 150 escolas ficam abertas durante os finais de semana como forma de prevenir e combater a violência -; além de ter estabelecido uma espécie de parceria público-privado para o alargamento de avenidas da cidade. Para o segundo mandato, João Paulo diz que pretende utilizar já em 2005 cerca de R$ 120 milhões dos recursos do tesouro, cerca de 12% do Orçamento municipal, para investimentos. "Também esperamos para o início deste segundo mandato iniciarmos a construção da Via Mangue - uma via expressa ligando o centro do cidade a Zona Sul - e o projeto Capibaribe Melhor - que prevê a recuperação do rio e de suas margens - em parceria com o Banco Mundial (Bird), orçado em US$ 48 milhões", diz. Um outro projeto de peso está junto ao Prometropóle. Orçado em US$ 88 milhões, também em parceria com o Bird, o projeto visa a melhorar o índice de saneamento de vários municípios da região metropolitana. Somente a participação do Recife está orçada em US$ 36 milhões, entre repasses e contrapartidas. Apesar do otimismo, João Paulo reconhece que o segundo mandato não deverá ser exatamente como navegar em mar de almirante. A cidade tem cerca de 23% de sua população economicamente ativa desempregada, crescentes índices de violência e um déficit habitacional que chega a cerca de 80 mil moradias. Uma outra dificuldade citada por ele está no fato de o governo do Estado encontrar-se impedido de captar dinheiro junto à Caixa Econômica Federal para investimentos em saneamento básico em função de problemas ligados a Companhia Pernambucana de Saneamento. Segundo ele, a prefeitura teria direito a R$ 28 milhões caso o problema fosse resolvido. Apesar de tudo, o prefeito deverá ter uma segunda gestão relativamente tranqüila pelo menos no que diz respeito a Câmara municipal. Dos 36 vereadores eleitos, apenas sete se declararam na oposição. Até mesmo oposicionistas históricos da atual administração municipal, como Liberato Costa Júnior (PMDB), que inclusive se recusou a apertar a mão de João Paulo quando foi eleito pela primeira vez, encontram-se agora com um discurso mais ameno. Embora evite tratar do assunto, o prefeito vem disputando com o ministro da Saúde Humberto Costa espaço rumo a corrida sucessória do governo do Estado em 2006.