Título: JP Morgan é contratado para negociar aporte de capital
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Fonte: Valor Econômico, 17/07/2007, EU & S.A., p. B8
Após uma seqüência de quatro comunicados em dois dias, a Bovespa decidiu liberar os negócios com os papéis da Agrenco. Os recibos de ações da empresa subiram 19,3% ontem , depois quatro pregões suspensos pela bolsa. O valor de fechamento, de R$ 1,67, representa prêmio superior a 25% frente ao preço pelo qual os potenciais interessados na empresa negociam um aporte de capital que representará a mudança no controle do negócio.
A companhia formou um comitê de assessoramento para auxiliar nos trabalhos do atual conselho de administração - José Guimarães Monforte, James Wright e Cássio Casseb - na gestão da crise, bem como no processo de atrair um investidor para o negócio.
O JP Morgan cuidará dos temas financeiros e, especialmente, das negociações para um possível aporte de capital por um dos três proponentes - a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), a asiática Noble e a suíça Glencore. No caso das duas primeiras, a proposta envolve a injeção de US$ 68 milhões na empresa - via aumento de capital e aquisição de debêntures. Já a terceira interessada não apresentou termos específicos. As conversas começaram ontem mesmo, segundo a companhia.
A Agrenco vive dificuldades financeiras desde o começo deste ano. A situação foi agravada pela prisão dos três principais sócios controladores Antônio Iafelice, Antônio Augusto Pires Jr. e Francisco Ramos, na Operação Influenza da Polícia Federal (PF), em 20 de junho. Suspeitos por crimes que vão desde desvio de dinheiro da empresa e fraude de balanços até sonegação de impostos, eles foram soltos ontem, após obtenção de habeas corpus.
Ainda dentro do comitê constituído para auxiliar o conselho, o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Marcelo Trindade cuidará desde os temas ligados à fase de transição da empresa até as questões sobre "a tomada de decisões sobre medidas relativas a fatos anteriores ao início da crise".
O colegiado que auxiliará os conselheiros terá ainda a consultoria Hirashima & Associados, que prestará assessoria no exame das questões relativas às demonstrações financeiras. A firma atuará como consultora, não fará a revisão propriamente dos números - que ficou a cargo da própria KPMG, auditora independente da empresa.
Somente ontem à noite, 20 dias depois da prisão dos controladores, a Agrenco abordou de frente o tema nos esclarecimentos oferecidos à Bovespa, que vinha cobrando transparência no tratamento da questão. Além disso, expôs mais claramente quais as medidas que vêm tomando para lidar com o cenário de turbulência.
Após o afastamento dos sócios da gestão, a empresa formou um comitê de crise, composto por membros da diretoria e alta gerência, e contratou um advogado criminalista, exclusivamente, para proteger os interesses da companhia no processo.
Por fim, os novos gestores decidiram solicitar uma nova auditoria das demonstrações financeiras, em especial no que tange as operações investigadas pela policia federal. Segundo comunicado da empresa, "a auditoria está em curso e seus resultados serão comunicados ao mercado oportunamente".
Com relação às denúncias contra seus controladores, a companhia detalhou as operações investigadas pela PF: um mútuo (empréstimo entre empresas do mesmo grupo) de R$ 4,16 milhões e uma suposta exportação simulada de soja, para desvio de dinheiro, no valor de R$ 2,45 milhões.