Título: Reunião restrita provoca protesto de 30 ministros
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Fonte: Valor Econômico, 25/07/2008, Brasil, p. A3
Uma revolta de ministros forçou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, a organizar uma reunião ontem à noite para obter novo mandato para um grupo de sete membros da entidade - Brasil, Estados Unidos, União Européia, Índia, China, Japão e Austrália - continuar a buscar um acordo agrícola e industrial.
Lamy convidou ministros de várias partes do mundo para vir a Genebra para tentar salvar a negociação global de liberalização. Depois do primeiro dia de muitos discursos e pouca negociação, ele mudou o formato para os sete, incluindo o Brasil. Só que quase 30 ministros excluídos passaram a protestar. A Argentina foi uma delas.
A ministra da Economia da Suíça, Doris Leuthard, acusou o diretor-geral da OMC de ter colocado os ministros na "sala de espera, o que criou problemas políticos para mim, porque não estou sendo capaz de defender inteiramente os interesses suíços e vários colegas de países em desenvolvimento estão na mesma situação".
A Suíça ficou ainda mais irritada quando soube que o G-7 discutiu sobre limite para a tarifa máxima no comércio agrícola global na ausência de países que têm interesse especial no tema. ''Isso é inaceitável'', afirmou ela.
Há dois anos, em outra mini-ministerial, Lamy mandou o secretário de Comércio Exterior da Argentina, Alfredo Chiaradia, sair da sala, alegando que era um encontro de ministros. Chiaradia ficou. Agora ele vem acompanhado do ministro Jorge Taiana, mas é quem fala - quando entra na sala.
Ontem a noite, Lamy reuniu os outros 30 ministros presentes em Genebra. Um ministro canadense disse que ele e seus colegas não tinham problemas em esperar, mas tampouco queriam perder tempo. E indagou aos sete ministros que integram o grupo restrito da negociação, se há chances de acordo. Todos os sete, incluindo o indiano Nath, responderam que há esperanças.
Enquanto isso, a França, na presidência rotativa da UE, organiza reuniões diárias dos negociadores europeus com os ministros europeus que estão em Genebra acompanhando as negociações. (AM)