Título: Gerdau estuda usina no Oriente Médio
Autor: Bueno , Sérgio
Fonte: Valor Econômico, 05/08/2008, Empresas, p. B8
Além do já conhecido interesse em estender as operações na Europa e se instalar na China, o grupo Gerdau está alargando o mapa de prospecções para novas aquisições pelo mundo. Agora o conglomerado siderúrgico está avaliando oportunidades para entrar no Oriente Médio, Tailândia, Vietnã e em outros países do sudeste asiático, afirmou o diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter.
"É difícil dizer o que virá primeiro", disse o empresário, depois de fazer palestra na Associação do Aço do Rio Grande do Sul. "Temos presença forte nas Américas e estamos olhando novas regiões para crescimento, que são essas três (Europa, Ásia e Oriente Médio)." De acordo com ele, as novas operações poderão ser voltadas à produção de aços longos para construção, especiais ou mesmo planos.
A joint venture Gerdau Kalyani, constituída no ano passado na Índia, é a "primeira etapa" do ingresso do grupo na Ásia, explicou. Maior produtora e consumidora de aço do mundo, a China está há bastante tempo na mira da empresa e, conforme o diretor-presidente, mantém condições de competitividade, como custos de mão-de-obra, "similares" às dos demais países do sudeste asiático. "A partir da Índia a tendência é conhecer mais a região e começam a aparecer oportunidades de negócios".
Johannpeter não deu detalhes sobre o desempenho dos negócios neste ano porque o grupo divulgará amanhã o resultado do segundo trimestre, mas informou que as operações nos Estados Unidos estão exportando aço porque se tornaram mais competitivas com a desvalorização global do dólar. "É uma vantagem para quem opera no país", comentou. Em fevereiro, na apresentação dos resultados de 2007, o empresário disse que 70 mil toneladas já haviam sido vendidas dos EUA para clientes no Caribe e na América Latina.
O mercado interno americano apresenta uma "certa queda de consumo" como reflexo da crise dos créditos hipotecários "subprime", admitiu Johannpeter. Mas, de acordo com ele, o movimento está sendo administrado com a redução das importações, o que abre oportunidades para os fabricantes locais de produtos siderúrgicos.
Para o mercado brasileiro, as perspectivas do empresário são otimistas apesar do aumento dos juros e da inflação. Segundo ele, a demanda doméstica por aço segue crescendo e compensa a perda de competitividade das exportações em função da valorização do real. "O primeiro trimestre foi forte e a tendência é que continue". Ele admitiu, entretanto, que pode ocorrer "alguma queda em alguns setores, mas nada muito significativo".
Até agora, as previsões do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) são de que a produção brasileira de aço neste ano deve crescer 11,2% sobre 2007, para 37,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente de produtos siderúrgicos deve avançar 13,6%, para 25 milhões de toneladas. "Todo o setor está investindo para manter o mercado interno abastecido e não há risco de falta de produto em nenhuma linha", afirmou.
O presidente da Associação do Aço do Rio Grande do Sul, José Antônio Fernandes Martins, reclamou da alta dos preços do produto no mercado brasileiro. "Até junho já houve aumento de mais de 30%, projeta-se mais 15% para depois de agosto e fala-se em mais 25% até o fim do ano", comentou. Segundo Johannpeter, a tendência é que as pressões sobre os custos das siderúrgicas continuem no segundo semestre, mas por enquanto a Gerdau não tem reajuste previsto.