Título: Espanha lança pacote de estímulo de 20 bi de euros
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Fonte: Valor Econômico, 15/08/2008, Internacional, p. A9
O governo espanhol aprovou um pacote de estímulo à economia com a liberação de 20 bilhões de euros (US$ 30 bilhões) em novos financiamentos para compradores de moradias e para empresas. O plano foi apresentado após a divulgação de mais notícias desanimadoras sobre a economia espanhola, em forte declínio.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a economia espanhola, que desfrutou mais de uma década de crescimento ininterrupto, quase não cresceu no segundo trimestre deste ano: apenas 0,1%, em comparação com os primeiros três meses de 2008. O INC disse que em termos anualizados isso equivale a uma taxa de crescimento de 1,8%, significativamente menor do que os 2,7 % no primeiro trimestre do ano e 3,8% de 12 meses atrás.
Ontem, a União Européia anunciou que o PIB da zona do euro registrou no segundo trimestre uma queda de 0,2% em relação ao trimestre anterior, em sua primeira contração desde a criação da área de moeda comum, em 1999
O premiê José Luis Rodríguez Zapatero, que interrompeu seu recesso de verão e chamou os ministros também em férias de volta a Madri para uma reunião, reconheceu que a economia praticamente estagnou. Mas ele rejeitou as acusações da oposição de que o governo demorou para reagir e disse que a economia espanhola, ainda assim, está melhor do que outras na Europa.
A inflação e o desemprego estão crescendo, os espanhóis que financiaram a compra de suas residências com juros flutuantes estão sofrendo com sua alta, e bancos assustados com a turbulência financeira internacional restringiram bastante os empréstimos.
O setor de construção civil, motor por trás de grande parte do crescimento espanhol nos últimos anos, praticamente sofreu um colapso, e a maior empreendedora imobiliária no país pediu concordata. Cada novo dia parece trazer outra estatística péssima.
Tudo isso está cobrando um preço político. Zapatero foi reeleito em março para um segundo mandato, mas uma pesquisa de opinião divulgada em 1º de agosto revelou que partido governista de Zapatero e os conservadores de oposição estão praticamente empatados. As taxas de aprovação de Zapatero e de Pedro Solbes, seu respeitado ministro das Finanças, estão, ambas, em queda.
O Partido Popular, principal de oposição, acusa Zapatero de subestimar os problemas do país.
Ontem, Zapatero aprovou 24 medidas - o terceiro conjunto de iniciativas desde a eleição - para aquecer a economia. A principal foi a que concede 20 bilhões de euros (US$ 30 bilhões) em financiamento para pequenas e médias empresas e garantias hipotecárias para pessoas interessadas na compra de moradias. Outras provisões eliminarão complicações burocráticas para tornar as companhias mais competitivas, eliminar o imposto espanhol sobre a riqueza e estimular, entre outros, os setores de transportes e telecomunicações.
O governo espanhol está prevendo um crescimento de 1,6 % neste ano e apenas 1% em 2009.