Título: Solví investe R$ 1 bi para diversificar e dobrar receita
Autor: Maia , Samantha
Fonte: Valor Econômico, 19/08/2008, Empresas, p. B8

Fruto da reestruturação das empresas Vega Engenharia Ambiental e Águas do Amazonas, após a saída da multinacional francesa Suez em 2006 da direção do grupo e a passagem do controle para os executivos nacionais, a holding Solví está com um plano ambicioso de duplicar seu faturamento até 2012. Ela planeja atingir R$ 2 bilhões aumentando sua presença em serviços de água, esgoto e resíduos sólidos, e estreando nos setores de energia e construção civil. O grupo, que hoje possui a maioria de seus contratos com o setor público, quer usar essa expansão para ampliar seus negócios com o setor privado.

A estratégia é diversificar sua atuação, com um investimento estimado em R$ 1 bilhão até 2012, aproveitando o impulso que o setor de infra-estrutura ganhou desde o ano passado com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A empresa aposta em áreas com déficit de atendimento, como saneamento, e de grande necessidade de investimentos, como a de energia.

O primeiro projeto no setor energético está sendo implementado em Salvador, na Bahia, com a construção de uma usina termelétrica no aterro sanitário de Lauro de Freitas, na região Metropolitana de Salvador. Com capacidade instalada de 20 MW - equivalente ao consumo de 200 mil pessoas -, a térmica será movida pelo gás metano liberado pelo lixo, um investimento de R$ 50 milhões a ser realizado pela Solví Valorização Energética, subsidiária da holding Solví.

A previsão, segundo Luciano Amaral, presidente da Vega, empresa do grupo especializada na gestão de lixo, é de que as obras comecem até o final do ano, para que a usina inicie a operar no primeiro semestre de 2009. "Há uma tendência hoje de buscar aproveitamentos de fontes alternativas, e o gás do lixão é algo que está disponível, e poluindo", diz Amaral. A empresa já queima o gás metano desse aterro, uma iniciativa que gera créditos de carbono desde 2003 por converter o metano em gás carbônico, menos poluente, mas até agora essa queima não era utilizada para a geração de energia.

Para o ano que vem, a empresa pretende ter mais uma termelétrica em operação, no município de Caieiras, em São Paulo, e uma Pequena Central hidrelétrica (PCH). Com esses empreendimentos, a Solví terá um parque de geração de energia total de 80 MW, com a meta de chegar a 320 MW até 2012, com a construção de mais quatro termelétricas e nove PCHs. Isso fará com que a participação do segmento na receita da holding chegue a 8%.

Em saneamento, a intenção do grupo, que é dono da Águas do Amazonas, concessionária de água e esgoto de Manaus, é de obter mais quatro contratos com prefeituras até 2012, aumentando a participação desse setor de 20% das receitas da Solví para 32%. Em Manaus, eles atendem 1,65 milhão de pessoas com água e 190 mil com esgoto. Segundo o presidente da Vega, o país está num momento propício para a entrada de mais empresas privadas em saneamento, com o início da regulamentação do setor no começo do ano passado, mas a empresa atualmente não participa de nenhuma licitação. "A Solví está de olho em oportunidades, há um espaço grande para crescer", diz o executivo.

Esse ano a Solví já iniciou seus investimentos como construtora, mas fora do país, no Peru, com o investimento de US$ 50 milhões na construção de uma estrada em Lima. O contrato foi assinado em junho e a obra deve ficar pronta até o final de 2009. A intenção, porém, é ter uma construtora que dê suporte às outras atividades do grupo, atuando nas obras de saneamento, energia e aterros, e ganhando expertise para tornar o grupo mais competitivo. O segmento de construção deve assumir uma participação de 6% nas receitas da holding até 2012.

Todas essas mudanças farão com que participação da Vega, empresa mais forte do grupo, no faturamento da Solví passe dos atuais 58% para algo entre 40% e 45% ao fim de 2012. Mesmo assim, os investimentos da Vega devem crescer, com a expectativa de construção de mais 20 aterros e busca de novas concessões. Hoje a empresa é concessionária de lixo em 17 municípios brasileiros e três no Peru, em parceria com uma empresa local, e gerencia cinco aterros no Brasil. O maior contrato da Vega hoje é na cidade de São Paulo, onde controla, junto com a Camargo Corrêa, a Loga, uma concessionária de coleta e limpeza pública nas zonas Norte e Oeste do município.