Título: Planos da CSN para o mercado de cimento
Autor: Santos, Chico
Fonte: Valor Econômico, 21/08/2008, Empresa, p. B8
Leo Pinheiro / Valor RJ Piau, diretor: "A empresa tem no planejamento estratégico a expansão" A fábrica de cimento que a CSN inaugura em janeiro de 2009 dentro da área da sua usina siderúrgica, em Volta Redonda (RJ), é apenas o começo da participação do grupo siderúrgico no setor cimenteiro. Segundo o diretor Industrial da CSN Cimentos, José Tarcísio Piau, responsável pela implantação da nova fábrica, o planejamento estratégico da empresa prevê que ela fará parte, no médio e longo prazos, do grupo dos cinco maiores produtores de cimento do país.
"A empresa tem dentro do seu planejamento estratégico a expansão, inclusive para outras regiões", disse Piau. A primeira planta terá capacidade nominal de 3 milhões de toneladas anuais, devendo operar em ritmo de 2,5 milhões de toneladas. Dividida em duas linhas, uma começa a operar em janeiro e a outra no meio do ano.
Com mais de 30 anos de experiência nos grupos Votorantim e Tupi, dois dos grandes do mercado, Piau entende que a CSN precisa primeiro "sentir" o mercado para depois entrar com força total. Na sua avaliação, a produção brasileira de cimento repete este ano a taxa de crescimento dos dois anos anteriores (10%), atingindo uma produção total de 50 milhões de toneladas.
Para os anos seguintes, o executivo aposta que o crescimento permanecerá elevado, mesmo que abaixo do ritmo atual. O cálculo de Piau é de que em prazo inferior a dez anos o Brasil atingirá um nível de consumo de cimento na casa dos 400 quilos por habitante ao ano, próximo ao nível dos países de desenvolvimento maduro da Europa e América do Norte, mas ainda muito abaixo dos seus pares emergentes, como a China, que, segundo ele, consome pelo menos o dobro. Hoje no Brasil o consumo está na faixa dos 250 quilos.
Piau disse que a capacidade ociosa que a indústria cimenteira do país possuía há alguns anos está esgotada. Como os altos custos de transporte em relação ao valor do produto isoladamente não recomenda que o cimento faça viagens muito superiores a 500 quilômetros, praticamente inviabilizando as importações, o setor como um todo está em um período de forte expansão. Hoje no Brasil a produção de cimento está, basicamente, nas mãos de dez grupos.
O investimento de US$ 200 milhões que a CSN está fazendo para entrar no mercado cimenteiro nasceu em 2005 da constatação de que poderia agregar valor à montanha de escória (1,4 milhão de toneladas/ano) que sai dos seus alto-fornos como rejeito da produção de aço. Também conhecida como clínquer siderúrgico, a escória é largamente utilizada para dar maior qualidade ao cimento. Hoje, essa escória é vendida aos futuros concorrentes.
Como possui fartura de calcário, principal matéria-prima do cimento, na sua mina de Arcos, no sul de Minas Gerais, a empresa decidiu que ela mesma passaria a processar o rejeito dos seus fornos siderúrgicos. A produção será feita em duas etapas. Em Arcos, está sendo montada a planta que vai calcinar (elevar a altíssima temperatura) o calcário, transformando-o em clínquer.
A planta de Volta Redonda vai misturar esse clínquer com escória e gesso, produzindo o cimento reforçado. "O clínquer siderúrgico confere ao produto final uma resistência e impermeabilidade que o cimento normal não consegue ter", explica o executivo. Como a planta de Arcos só começa a operar em janeiro de 2010, a CSN vai iniciar sua produção com clínquer importado da Ásia.
Piau disse que, para futuras expansões, a produção de escória de Volta Redonda não será limite, até porque a própria CSN tem planos para produzir mais aço, em Volta Redonda e em outras localizações.