Título: Papaiz transfere produção de SP para BA
Autor: Salgado, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 22/08/2008, Empresas, p. B6

Marisa Cauduro / Valor Sandra Papaiz diz que economia com a folha de pagamento vai compensar eventuais aumentos dos custos logísticos A Papaiz, fabricante de fechaduras, cadeados e dobradiças, está investindo R$ 12 milhões para concentrar sua produção na Bahia e, com isso, reduzir em 30% seus custos. A concorrência chinesa e a valorização cambial são os motivos que levaram a empresa a tomar essa decisão.

Com isso, a fábrica de Diadema, que produzia fechaduras residenciais e dobradiças, está sendo desativada e 400 pessoas foram demitidas, já que poucos trabalhadores optaram por mudar para Salvador. Ao mesmo tempo, será preciso contratar outras 500 para a unidade baiana. A economia da Papaiz ocorrerá basicamente na mão-de-obra que, segundo Sandra Papaiz, presidente do conselho de administração da empresa, é 30% mais barata na Bahia do que em São Paulo. "A matéria-prima terá o mesmo preço e talvez a logística fique um pouco mais cara", explica.

A Papaiz tem apostado na expansão da construção civil no Brasil e na diferenciação de seus produtos para crescer. Hoje, as exportações representam apenas 15% do faturamento da empresa. Sandra acredita que agora chegou a hora de o setor de acessórios para a construção deslanchar. "Primeiro assistimos ao boom de vendas de cimento, aço, da parte mais bruta. Estamos começando a entrar na parte do acabamento", diz. A projeção da companhia é de um crescimento real de 15% em 2008.

A estratégia de diversificação dos cadeados, que teve início no ano passado com o lançamento de peças coloridas e outras concebidas pela estilista Fábia Berseck, tem mostrado bons resultados. Essas peças representam 15% da produção total. "Quisemos sair do lugar comum. Claro que os cadeados tradicionais ainda são os mais vendidos, mas é incrível como as pessoas querem sempre se diferenciar e buscam fazer isso nos mais diversos objetos", afirma Sandra.

Boa parte do investimento de R$ 12 milhões feito pela Papaiz foi para ampliar em 10 mil m2 a área da fábrica baiana e comprar uma máquina chamada "galvânica". Esse equipamento é responsável por dar o acabamento nas peças em níquel, cromo ou latão. Segundo Sandra, "a nova galvânica é bem mais moderna e reduzirá em 90% o consumo de água". Será uma ajuda na equalização de custos, mas não muito grande, já que a maior fatia dos gastos da empresa é com matéria-prima e na mão-de-obra.

Concentrar esforços na Bahia também abrirá espaço para que a Papaiz amplie sua participação no Nordeste, que tem experimentado um aumento vigoroso no setor imobiliário. Só a Bahia experimentou, no primeiro semestre deste ano, um aumento de 153% na venda de imóveis em relação a igual período de 2007. Já o número de lançamentos foi de 9.183 unidades, um aumento de 179,2% sobre o ano passado.

Apesar de ganharem menos, os trabalhadores baianos receberão, a partir do início do ano que vem, participação nos lucros e resultados. A prática já está difundida no setor metalúrgico do Sul e Sudeste, mas ainda é pouco aplicada em outras regiões do país, como o Nordeste. "A mão-de-obra é mais barata, mas também menos qualificada, então temos que investir em treinamento", diz a presidente.

A área de ferramentaria, que exige conhecimento mais especializado, ficará ainda em Diadema. A idéia é que nos próximos anos ela possa ser feita na Bahia, quando houver pessoas capacitadas para essa função.

O local que hoje abriga a fábrica da Papaiz em Diadema será transformado no Centro Industrial e Comercial Ângela Papaiz, o nome da mãe de Sandra. Parte deste espaço está sendo alugado para a montadora Mercedes. "Eles serão nossos condôminos. Trata-se de uma grande negociação que começou no ano passado", contou.