Título: Crise abre espaço a aquisições externas
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/08/2008, Finanças, p. C3
O presidente do Banco Calyon no Brasil, David Jana, afirmou que a crise internacional abre boas oportunidades de aquisições em outros países para as empresas brasileiras. "As companhias brasileiras são pouco endividadas e os preços caíram bem lá fora", disse Jana para o Podcast Rio Bravo, que pode ser ouvido a partir de hoje. O podcast é produzido pela gestora de recursos Rio Bravo Investimentos e veiculado toda sexta-feira.
As principais oportunidades de negócio estão na América Latina, em países como o Peru e Colômbia, Europa e Ásia, disse o executivo, que nasceu no Chile, trabalhou no BankBoston na década de 90 e há dois anos preside o Calyon, banco de investimentos do francês Crédit Agricole, que opera em 58 países e obtém 72% de sua receita fora da França. No ano passado, o Calyon ficou em oitavo lugar no ranking de intermediação de captações externas brasileiras, avançando quase dez posições em comparação com o 17 º lugar de 2007.
Na Europa, explicou, há várias oportunidades de aquisições nos setores de bebidas, têxtil, indústria em geral e canais de distribuição. Mas o especialista não aconselha investidas na Argentina e nos Estados Unidos, no momento. Os Estados Unidos, explicou são o mercado mais afetado pela crise internacional e há pouco capital para financiar esse tipo de operação.
Para investimentos em outros mercados, porém, Jana vê disponibilidade de recursos, embora a preços mais elevados, para as 100 maiores empresas brasileiras. Ele informou que, desde o início da crise americana, o custo médio do financiamento ao comércio exterior subiu de 30 a 50 pontos-base; e as linhas mais longas, de um a cinco anos, subiram de 100 a 150 pontos-base. Para as empresas menores, "o custo subiu ainda mais".
"Há um aperto relevante na liquidez internacional. Os bancos internacionais já registraram perdas próximas de US$ 600 bilhões, o que restringiu o crédito no mundo todo. Isso chegou ao Brasil e afetou inclusive as operações em reais", disse Jana.
O Calyon refinanciou empréstimo-ponte de US$ 600 milhões para a GP Participações comprar, por meio da San Antonio Internacional, em setembro do ano passado, as operações de perfuração de poços de petróleo e gás em terra na América Latina da Pride.
Jana estima que o próximo semestre ainda será muito difícil, mas acredita que o mercado pode melhorar em seis a doze meses.
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