Título: Standard traz US$ 370 milhões ao Brasil
Autor: Lucchesi , Cristiane Perini
Fonte: Valor Econômico, 26/08/2008, Finanças, p. C8
Rodolfo Valente e Guilherme Alice, que deixaram o ABN AMRO e passaram a integrar a equipe de financiamento de projetos do Banco Standard de Investimentos O Banco Standard de Investimento, de capital sul-africano e chinês, está trazendo US$ 370 milhões ao Brasil. Desse valor, US$ 120 milhões já entraram no país e representam injeção direta no capital do banco, que mais do que dobrou, passando para um total de US$ 220 milhões. Os outros US$ 250 milhões vão constituir um fundo de "private equity", para comprar participação em empresas no Brasil e depois tentar vendê-las com lucro. O banco não descarta trazer ainda mais recursos em 2009, diz Fábio Solferini, presidente.
Para colocar esse dinheiro para funcionar o Standard está em processo de contratação de 60 pessoas, das quais 20 já se integraram ao seu quadro de pessoal, hoje composto por 110 funcionários, informa Solferini. O banco foi buscar no Paraná a empresária e executiva Gisele Luna de Mello, ex-Bank of America, para chefiar a área de relacionamento com instituições financeiras no Brasil e na América Latina.
De uma só vez, o Standard tirou do ABN AMRO o time praticamente completo de assessoria a financiamento de projetos de investimento (área de "project finance"). Chefiado por Guilherme Alice, o time é composto por Rodolfo Valente, Lucas Martinelli, Fábio Kono, Fábio Souza e Wilson Chen. Do grupo de Alice, só restou no ABN Patric Lange. "A estratégia de crescimento agressiva do Standard nos atraiu", disse Alice, que estava há 17 anos no ABN AMRO e não nega que a fusão com o Santander no Brasil ajudou na difícil decisão de mudar de instituição.
O Standard está montando ainda uma equipe para entrar no mercado de assessoria às fusões e aquisições e um time para a realização de operações estruturadas. Está contratando também gerentes de relacionamento: quer aumentar o número de empresas clientes de 150 para 500.
"Com o mercado menos líquido, quem tem caixa faz bons negócios hoje em dia", diz Solferini. Capital e caixa não faltam ao banco sul-africano, que recebeu em março deste ano uma injeção de US$ 5,5 bilhões do Banco Industrial e Comercial da China (BICC), o maior banco do mundo em valor de mercado, que ficou com 20% do capital do sul-africano. Seu foco em emergentes - o Standard é o maior banco da África do Sul, mas tem participação em 18 países - deixou o banco longe da crise de hipotecas americanas. O Standard tem ativos estimados em US$ 175 bilhões, aproximadamente, e seu valor de mercado na Bolsa de Johannesburgo era de US$ 20 bilhões no final do ano passado, segundo informa em seu site.
"O BICC tem muitos interesses na África, mas também viu na parceria com o Standard uma oportunidade para crescer no Brasil", disse Jacko Maree, executivo-chefe do Standard, em entrevista ao Valor, em março, quando esteve no Brasil, logo após receber a injeção de recursos. "Capital não será um empecilho para expansão agressiva do banco no Brasil, pois faremos aportes quando necessário", afirmou o executivo, na época.
As áreas principais de atuação do banco, segundo Solferini, serão mineração e metalurgia, energia, e infra-estrutura de uma forma geral, além de mídia e telecomunicações, óleo e gás, instituições financeiras e agribusiness. A instituição pretende fechar mais transações de derivativos para os clientes, oferecendo mais proteção às empresas contra oscilação de preços de commodities, como açúcar, algodão, soja e etanol.
O Standard planeja também fazer mais financiamentos para aquisições, para grandes projetos de energia e infra-estrutura e para importações e exportações. A meta é ampliar sua participação no mercado de capitais interno, com destaque para as operações de securitização do setor imobiliário, além da atuação maior com câmbio e seus derivativos. O principal objetivo é atender às empresas brasileiras, mas o banco pretende "aproveitar as sinergias", diz Solferini.
Já o fundo de "private equity" também é parceria com os chineses. No total global, o Standard vai entrar com US$ 200 milhões, o BICC , com US$ 200 milhões, e os US$ 600 milhões restantes serão captados no mercado. "Queremos investir em empresas de commodities e recursos naturais", disse Maree. Solferini informa que as áreas de investimento do fundo ainda não foram definidas, o que deve acontecer em breve, assim que a equipe gestora for montada.
O Standard é um dos poucos bancos de um país emergente que tem perseguido uma agressiva estratégia de internacionalização. "O PIB da África do Sul representa apenas 0,6% do PIB global e, se nós queremos crescer, temos de fazer isso em outros países", diz Maree.