Título: Obama abre vantagem, mas espera-se eleição apertada
Autor: Balthazar, Ricardo
Fonte: Valor Econômico, 03/09/2008, Internacional, p. A13
Na abertura da convenção nacional do Partido Republicano, os delegados do Texas compareceram com chapéus brancos e camisas azuis e os da Flórida usaram estampas com flores vermelhas. Todo mundo chamou atenção, mas na hora do voto será preciso muito mais se eles quiserem ajudar o senador John McCain a chegar à Casa Branca.
A dois meses do dia da eleição, a ser realizada no dia 4 de novembro, o candidato do Partido Democrata, o senador Barack Obama, voltou a se distanciar de McCain nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o Gallup, Obama abriu vantagem de oito pontos percentuais sobre o rival na última semana. Mas a maioria dos analistas duvida que isso vá durar muito tempo.
O salto de Obama nas pesquisas coincidiu com os dias em que ele estava sendo festejado na convenção do Partido Democrata, em Denver, que garantiu ao candidato horas de propaganda gratuita no horário nobre da televisão. Agora chegou a vez dos republicanos, que nesta semana terão a chance de transmitir para milhões de pessoas a mensagem de McCain.
"O mais provável é que esta eleição continue muito apertada até o fim", disse ontem o presidente do Centro de Pesquisas Pew, Andrew Kohut, um observador que há três décadas acompanha as flutuações da opinião pública americana. "Os eleitores ainda têm muitas dúvidas sobre os dois candidatos e isso torna a disputa bastante imprevisível."
Isso significa que a capacidade que os dois partidos terão de mobilizar o eleitorado no dia da eleição poderá ser decisiva. Como ninguém é obrigado a votar nos EUA, a máquina partidária que conseguir arrastar mais gente para as urnas em novembro terá melhores condições de prevalecer nos Estados em que a disputa estiver muito apertada.
Os democratas estão na frente nesse aspecto, como os próprios republicanos reconhecem. O carisma de Obama atraiu milhares de jovens voluntários para o partido, e o eleitorado parece estar farto dos republicanos. "Muitas pessoas votam quando estão com raiva e acham que seu voto pode fazer diferença", disse Bill McInturff, outro veterano pesquisador, num debate às margens da convenção republicana.
Ao escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice-presidente, McCain esperava injetar na base do seu partido o entusiasmo de que necessita para enfrentar as tropas de Obama. Mas nos últimos dias apareceram tantas dúvidas sobre Palin, sua família e a maneira como McCain a escolheu que é possível que o apoio que ele recebeu dos conservadores ao indicá-la desapareça rapidamente.
Palin se transformou em poucos dias numa fonte aparentemente inesgotável de embaraços para a campanha de McCain. Soube-se que uma de suas filhas, uma adolescente de 17 anos, está grávida há cinco meses. Descobriu-se que seu marido foi preso uma vez dirigindo bêbado e que há um inquérito em curso para saber se ela usou o cargo para perseguir um ex-cunhado.
Especialistas acreditam que será preciso esperar algumas semanas para avaliar melhor o impacto das convenções e da entrada em cena de Palin na intenção de voto. Estudos feitos em eleições presidenciais anteriores mostraram que a influência das convenções sobre a opinião pública diminuiu bastante nos últimos anos e muitos eleitores decidiram bem mais tarde o seu voto.
Na eleição presidencial de 2000, a última em que a disputa entre democratas e republicanos ficou tão acirrada como hoje, 10% dos eleitores definiram o voto durante as convenções partidárias, e outros 46% resolveram depois, de acordo com um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Stanford e da Universidade de Michigan.
Isso dará grande importância para os três debates que serão realizados neste mês e em outubro, quando Obama e McCain pela primeira vez estarão juntos no mesmo palco discutindo suas idéias. Também está marcado para outubro um debate entre Palin e o companheiro de chapa de Obama, o senador Joe Biden.