Título: Mercado de câmbio tem primeiro superávit desde maio, US$ 1,944 bi
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 04/09/2008, Finanças, p. C2

O mercado de câmbio registrou superávit de US$ 1,944 bilhão em agosto, o primeiro desde maio. Mas o desempenho foi desigual ao longo do mês. Até o dia 19 de agosto, o mercado exibia um superávit de US$ 3,7 bilhões, que foi parcialmente consumido no restante do mês, quando a saída de dólares do país superou o ingresso em US$ 1,756 bilhão.

Do superávit de US$ 1,944 bilhão, o BC absorveu US$ 1,176 bilhão por meio de seus leilões de compra de moeda estrangeira. Os bancos ficaram com US$ 767 milhões, elevando sua posição compra em moeda estrangeira de US$ 2,987 bilhões para US$ 3,754 bilhões entre julho e agosto.

No segmento de câmbio comercial, foi registrado um superávit de US$ 4,094 bilhões. As vendas de dólares pelos exportadores somaram US$ 16,021 bilhões, o que representa uma média diária de US$ 763 milhões, 2,7% maior do que a observada em julho. As compras de dólares por importadores chegaram a US$ 11,927 bilhões em agosto, média diária de US$ 568 milhões, 9,6% menor do que a observada no mês imediatamente anterior.

No segmento financeiro, houve um déficit de US$ 2,150 bilhões, bem menor do que os números da ordem de R$ 5 bilhões observados em julho e junho. De qualquer forma, é o quinto mês seguido em que foi registrado déficit no segmento financeiro, que soma US$ 17,336 bilhões nos dados acumulados no período.

Não é incomum os déficits no segmento financeiro. Essa foi a norma entre 2001 e 2006. A exceção ocorreu em 2007, com uma saldo positivo de US$ 10,708 bilhões. De janeiro a agosto deste ano, o mercado de câmbio volta ao padrão anterior, com déficit de US$ 21,896 bilhões.

O câmbio financeiro costuma registrar saldos negativos porque neste segmento são registradas as transações relativas a serviços e rendas, nas quais o país é tradicionalmente deficitário. É o caso, por exemplo, de pagamentos de juros da dívida externa, das remessas de lucros e dividendos e do turismo internacional.

Além dos serviços e rendas, no segmentos financeiro também são registradas as operações de câmbio relativas a movimentos de capitais, como investimentos e empréstimos. As estatísticas divulgadas ontem pelo BC não permitem identificar o peso de cada um desses fatores no déficit. Isso só ficará claro no fim do mês, com a divulgação dos dados do balanço de pagamentos.