Título: BCE mantém juro em 4,25% apesar da economia fraca
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Fonte: Valor Econômico, 05/09/2008, Finanças, p. C3

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu ontem manter inalterada a taxa de juros na zona do euro em 4,25%, o patamar mais alto em sete anos. A instituição européia também deixou inalterada a facilidade marginal de crédito, usada para a concessão de créditos overnight por bancos centrais nacionais, em 5,25%, assim como a facilidade de depósito, que remunera depósitos overnight em bancos centrais nacionais, em 3,25%.

Os analistas esperavam essa decisão devido às pressões inflacionárias e apesar do enfraquecimento econômico. A taxa anualizada da inflação na zona do euro desacelerou em agosto para 3,8%, contra 4% em julho, segundo dados da Eurostat, a agência de estatísticas do bloco europeu.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse que a instituição continua concentrada no combate à inflação, mesmo depois de reduzir as suas previsões de crescimento econômico para este ano e o próximo. "Importantes riscos para a estabilidade dos preços prevalecem", afirmou Trichet em Frankfurt, após a reunião do BCE. "Estamos firmes na nossa determinação de manter as expectativas de inflação alinhadas com a estabilidade dos preços."

O BCE, que elevou sua taxa básica em julho deste ano, quer evitar uma espiral de alta que afetaria salários e preços, num momento em que os trabalhadores reivindicam uma compensação para o avanço dos preços de alimentos e combustíveis, que elevaram a inflação para o mais alto patamar de 16 anos.

A economia da zona do euro se contraiu no segundo trimestre, com o recuo dos gastos do consumidor, dos investimentos e das exportações, mas dois membros do conselho do BCE, Axel Weber e Lucas Papademos, disseram na semana passada que um novo aumento na taxa básica de juros pode ser necessário, caso o cenário inflacionário se deteriore.

"A incerteza que cerca este cenário para a atividade econômica é particularmente alta na conjuntura atual", disse Trichet. "Os riscos prevalecem", destacou, "e têm sua origem no impacto potencial da alta nos preços sobre os investimentos e os gastos do consumidor."

Para a zona do euro, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê neste ano um crescimento de 1,3%, em relação ao 1,7% na projeção anterior. "Boa parte desta revisão procede dos dados do segundo trimestre já publicados, ou seja, uma surpresa ruim que leva, por tanto, a uma forte redução da previsão para a zona euro", disse o vice-diretor do departamento econômico da OCDE, Jean-Louis Schneider.

A economia da zona do euro se contraiu em 0,2% no segundo trimestre de 2008, em comparação aos primeiros três meses do ano.

Pouco antes da decisão do BCE, o Banco da Inglaterra (BC britânico) manteve sua taxa de juros em 5%. Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco manteve a taxa nesse patamar.

Fazem parte da zona do euro os países que utilizam a moeda única européia: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal. Já a União Européia inclui: Bulgária, Dinamarca, Eslováquia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.