Título: Discurso contraditório
Autor: BERNARDES, ADRIANA
Fonte: Correio Braziliense, 07/03/2011, Cidades, p. 18
Os acontecimentos recentes reforçam o descrédito de políticos junto à população. Em abril do ano passado, a então deputada distrital Jaqueline Roriz (PMN) acusava a colega Eurides Brito (PMDB): ¿É muita cara de pau¿. Em sessão plenária na Câmara Legislativa, ela afirmou ainda que ela estava ¿desesperada, à procura de um bode expiatório para explicar sua situação¿. As declarações foram dadas após Eurides, filmada guardando maços de dinheiro em sua bolsa, escrever em seu blog que a quantia recebida de Durval Barbosa era referente a um pagamento do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) de jantares oferecidos por ela em 2006, para promover a então candidata Maria de Lourdes Abadia (PSDB), que sucederia Roriz.
Menos de um ano depois, Jaqueline Roriz vira vidraça ao ter sua imagem veiculada nas mesmas condições em que sua ex-colega foi exposta: recebendo pacotes de dinheiro de Durval Barbosa. A diferença é que, no caso dela, foi o marido, Manoel Costa de Oliveira Neto, quem guardou as notas e ainda pediu mais.
Dois meses antes do ataque de Jaqueline a Eurides Brito, o pai dela, Joaquim Roriz , apareceu no horário político do seu partido e falou pela primeira vez sobre o escândalo da Caixa de Pandora. Nas inserções, ele classificou os acontecimentos como ¿vergonhosos¿ e ¿escandalosos¿. Roriz disse ainda que via com ¿indignação¿ as denúncias de corrupção e declarava confiança no Judiciário. ¿A Justiça vai punir, vai fazer como ela está fazendo. Por um lado, eu fico com uma profunda decepção. Por outro, cheio de esperança de que a Justiça cumpra seu dever¿, dizia.
Joaquim Roriz renunciou ao mandato de senador após o escândalo conhecido como Bezerra de Ouro. O caso veio à tona após a Polícia Civil do DF deflagrar a Operação Aquarela. Vinte pessoas foram presas por suspeita de participação em um esquema de desvio de dinheiro do Banco de Brasília (BRB). Das investigações, vazou a gravação do diálogo entre o então senador Joaquim Roriz (à época no PMDB) com Tarcísio Franklim de Moura, ex-presidente do banco. Eles tratavam da partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões do empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas. Roriz alegou ter pedido o dinheiro emprestado para quitar a compra de uma bezerra. (AB)
Opinião do internauta
Leitores comentaram no site do Correio a reportagem em que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirma que vai investigar as denúncias contra Jaqueline Roriz (PMN-DF). Veja alguns trechos:
Pedro Gustavo Sconetto ¿A quem interessa a publicação do vídeo a esta altura do campeonato?¿
Zezé Filho ¿Agora entendo quando dona Weslian dizia sempre nos debates em sua candidatura ao governo: `Eu quero defender toda aquela corrupção.¿
Wellington Abreu ¿Essa família é muito unida¿¿
Ducilneide Drumond ¿É mensalão, Caixa de Pandora e é o povo esperando, passivo, paralisado, abestalhado.¿
Reinildo Azevedo ¿Tem que punir. Outros pagaram, por que ela não?¿
Paulo Furtado ¿Agora eu quero ver o que será feito.¿
Norma Amoras Goularte ¿O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pode impedir a abertura de inquérito no processo de cassação da Jaqueline Roriz. O próprio ex-presidente Lula sancionou a lei. O colegiado passou a levar em conta apenas atos cometidos pelos deputados após a posse. Esse fato foi antes de ela ser eleita.¿
Lins Neto ¿Vão inventar mil desculpas para se safar, arrumam um advogado bom e fica por isso mesmo.¿ João Neto ¿Seria ótimo a punição dela. Mas ninguém ainda viu um parlamentar ser preso e obrigado a devolver ao erário o montante desviado. É tudo um jogo de interesse político.¿ Sérgio Ferreira Gusmão ¿Brasília merece ter os corruptos que tem.¿ Juliano Passos Costa ¿Tal pai , tal filha. Sem comentário.¿
Lázaro Silva ¿O procurador deveria perguntar por que este vídeo levou tanto para chegar ao conhecimento de todos.¿