Título: Mercado reduz projeção de inflação pela 6ª semana
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 09/09/2008, Brasil, p. A6
Pela sexta semana consecutiva, a pesquisa de expectativas divulgada pelo Banco Central apontou queda das projeções de bancos e empresas para a variação de três dos principais índices de preço em 2008. A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em relação ao qual o governo estabelece a meta de inflação, caiu de 6,32% para 6,27%.
Depois de ter ultrapassado o teto do intervalo de tolerância (dois pontos), a expectativa para a inflação do IPCA segue voltando para perto do centro da meta, fixado em 4,5% ao ano até 2010. Isso não mudou, porém, a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promoverá, até dezembro, novas elevações da taxa básica de juros. Para a reunião desta semana, as instituições pesquisadas mantiveram a previsão de que o Copom decidirá um aumento de 0,75 ponto percentual, colocando a meta da taxa Selic no patamar 13,75% ao ano.
Segundo as últimas projeções de mercado, até o fim deste ano a meta de Selic chegaria a 14,75% ao ano. A expectativa é que a trajetória de queda seja retomada em 2009. Ainda assim, o mercado aposta que ela terminaria o período em 13,75% ao ano, acima, portanto, do nível atual.
Em relação ao IGP-DI e o IGP-M, ambos índices gerais (incluem preços no atacado), a mediana das projeções de variação em 2008 recuou, respectivamente, para 10,27% e 10,35%, também pela sexta semana. Na semana anterior, considerado esse mesmo critério, o mercado esperava que a inflação do IGP-DI chegasse a 10,31% e a do IGP-M, a 10,37%.
As instituições consultadas acreditam que o comportamento dos preços administrados (que dependem de decisões dos governos locais ou federal) ajudará na desaceleração inflacionária. Pelas novas previsões, no seu conjunto, esses preços deverão subir 3,79% em 2008 e não mais 3,82%, como projetava a pesquisa anterior.
Para 2009, a expectativa de inflação foi mantida em 5%, no caso do IPCA, e caiu de 5,29% para 5,20% no caso do IGP-DI. Já em relação ao IGP-M e ao IPC-Fipe, a mediana subiu, respectivamente, de 5,48% para 5,5% e de 4,64% para 4,67%. A projeção de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 4,8% para 2008, apesar de uma elevação na expectativa de crescimento da indústria, de 5,45% para 5,65%. Para 2009, a taxa está em 3,6%. (MI)