Título: Senadora é opção do DEM para compor chapa presidencial com PSDB
Autor: Ulhôa, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 09/09/2008, Especial, p. A12

Por onde tem andado no interior do Tocantins nesta campanha municipal, a senadora Kátia Abreu (DEM) é lançada a candidata a governadora em 2010. Ela ouve, agradece e fica quieta. Prefere aguardar o resultado das eleições de 2008, para que seu futuro político seja analisado a partir do número de votos que seu partido obtiver nacionalmente.

Apesar da baixa densidade eleitoral do seu Estado (926,7 mil eleitores, o que representa 0,71% do eleitorado nacional e quarto menor colégio eleitoral do país), seu nome é citado como uma das opções do DEM em caso de candidatura própria a presidente da República ou a vice-presidente, numa coligação com o PSDB - nesse caso, se o candidato for o governador de São Paulo, José Serra. A aliança preferencial do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, caso seja ele o candidato, acredita-se, é com o PMDB.

"Se eu fosse vice do Serra, eu levantaria os produtores do Brasil todo. Virariam militantes", diz Kátia, sobrevoando o rio Tocantins, entre um município e outro visitado no fim-de-semana. Se depender dos seus aliados no Estado, o destino de Kátia - primeira senadora mulher do Tocantins - será mesmo a eleição para o governo estadual.

"Kátia não tem opção. O povo do Estado só abre mão dela se for para presidente da República. Ela é empreendedora, ousada. Vai atrair investidores para o Tocantins", afirmou a prefeita do Brejinho de Nazaré (100 Km de Palmas), Miyuki Hyashida, no sábado, em sua casa.

Candidata à reeleição com mais de 70% de aprovação no município e presidente da Comissão de Piscicultura da CNA, Miyuki, Kátia e o presidente do Democratas no Estado, o deputado federal João Oliveira, acabavam de voltar de uma atividade de campanha em uma comunidade quilombola da cidade. A senadora discursou em cima de caminhão, dançou forró e sússia (dança folclórica de origem africana) e, na casa de um morador, comeu arroz, feijão e frango - com muita pimenta.

Brejinho de Nazaré foi o terceiro dos 12 municípios do Tocantins visitados por Kátia entre a noite de quinta, dia 4, até domingo, 7. Quase sempre acompanhada do presidente do DEM estadual. O partido tem 23 dos 139 prefeitos do Estado e quer eleger 35. Como ex-presidente do DEM do Tocantins e sua principal liderança, Kátia planeja visitar até a eleição quase todos os municípios - exceto 25, onde há disputa entre aliados.

A senadora também tenta melhorar a qualidade dos prefeitos do partido. Em abril, o DEM promoveu seminário de gestão pública para os então pré-candidatos, com algumas teses que Kátia repete nos discursos. Entre elas, a escola de tempo integral para que as crianças comam e aprendam atividades esportivas.

Defende construção de postos de saúde que realizem exames da próstrata nos homens e pré-natal nas mulheres grávidas. E propõe a realização de uma "gincana do conhecimento" entre municípios, com competição de matemática, leitura e índices de saúde. Depois da eleição, pretende oferecer curso sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Aos 46 anos, com três filhos e uma neta de cinco, Kátia lidera caminhadas com candidatos, militantes e eleitores pelas ruas de municípios como Ipueiras (1.184 habitantes) e Porto Nacional (47.141), em ritmo de maratona. Os discursos são contundentes, desafiadores. "Não tenho medo de homem, cara feia ou pito", repete.

Na sexta-feira, depois de Ipueiras, Porto Nacional e Brejinho de Nazaré, a senadora terminou o dia em Paraíso do Tocantins, onde "produziu um comício" para ficar na história da cidade. Lá, o PMDB do governador Marcelo Miranda, seu aliado estadual, rompeu com o DEM, que tinha o candidato mais forte entre os aliados. Por isso, o partido de Kátia aliou-se ao PTB - que tem o candidato a prefeito - e indicou o vice.

Ela encomendou 300 camisetas brancas com a palavra "Esperança" impressa, para distribuir aos convidados do palanque, já que está proibida impressão de propaganda eleitoral. Pôs a assessoria enlouquecida atrás de uma pomba branca. Apareceram três, todas soltas ao final dos discursos para delírio do público. Rosas brancas foram jogadas. Ao final, com Roberto Carlos tocando ao fundo, todos cantaram "Jesus Cristo". (RU)