Título: Produção do pré-sal pode ser de 300 mil barris em 2014
Autor: Góes, Francisco; Rosas, Rafael
Fonte: Valor Econômico, 16/09/2008, Brasil, p. A8
Produção do pré-sal pode ser de 300 mil barris em 2014
A Petrobras estará produzindo pelo menos 300 mil barris de petróleo leve na área do pré-sal até 2014. Ontem, durante palestra na feira Rio Oil & Gas, o gerente- executivo de Exploração e Produção da estatal, Francisco Nepomuceno Filho, disse que a empresa decidiu colocar em operação em 2013 e 2014 dois sistemas-piloto de produção na área, cada um capaz de produzir 100 mil barris de óleo por dia. Leo Pinheiro/Valor Francisco Nepomuceno Filho, gerente da Petrobras: desenvolvimento do pré-sal será diferente do da bacia de Campos
Antes, a empresa já havia anunciado a inauguração, em 2010, do sistema-piloto de Tupi, também capaz de produzir 100 mil barris por dia. A produção em Tupi já deve começar no próximo ano, com um navio-plataforma capaz de produzir 30 mil barris por dia.
Nepopuceno disse que ainda não foram escolhidos entre as outras oito áreas contíguas a Tupi - e que já se revelaram produtivas - quais as que receberão os outros dois sistemas-piloto. Segundo ele, todos os pilotos terão, principalmente, a finalidade de permitir melhor avaliação dos reservatórios e das possíveis tecnologias de produção. As opções tecnológicas em estudos são as mais diversas, podendo inclusive eliminar a necessidade de plataforma.
O executivo da Petrobras disse que o desenvolvimento do pré-sal será todo diferente do que foi colocado em prática na bacia de Campos, no Rio de Janeiro, atualmente responsável por mais de 80% da produção de petróleo do Brasil. As palestras sobre pré-sal fora do Brasil mostraram que, embora a Shell já produza óleo abaixo da camada de sal há mais de 40 anos e no Golfo do México já tenham sido feito descobertas desde 2000, as dimensões e os desafios do pré-sal brasileiro são muito maiores. Segundo Stephen Thurston, que apresentou a experiência da Chevron, já foram descobertos 16 bilhões de barris no pré-sal daquela província petrolífera americana e estima-se haver mais 16 bilhões a descobrir. No Brasil, somente as duas primeiras áreas mapeadas já têm de 8 a 12 bilhões de barris.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que os resultados da exploração do campo de Iara, na Bacia de Santos, surpreenderam a estatal em termos de estimativa de volumes recuperáveis. Na quarta-feira, a Petrobras divulgou que Iara, no bloco BM-S-11, o mesmo de Tupi, tem volumes recuperáveis de petróleo e gás natural estimados entre 3 bilhões e 4 bilhões de barris.
"Os dados de Iara foram mui-to surpreendentes em termos de resultados. O plano de avaliação demonstra uma surpresa positiva, e portanto bastante otimista, em termos de resultados dos trabalhos de prospecção", frisou Gabrielli, que participou da abertura da Rio Oil & Gas, ontem, no Rio de Janeiro.
O presidente da Petrobras acredita que o próximo campo da região do pré-sal que deverá ter um plano de avaliação é Júpiter, também na Bacia de Santos. "O próximo deve ser Júpiter. Ele já está em fase final de avaliação", informou Gabrielli.
Além de Júpiter, o presidente da estatal explicou que Guará também está em fase mais adiantada de testes, mas não quis dar estimativas de quando a empresa estará pronta para informar à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Uma vez pronta para estimar as reservas, a companhia tem, de acordo com a legislação brasileira, 72 horas para informar oficialmente ao órgão regulador e, em casos de grandes acumulações, com impacto econômico relevante, a empresa deve informar também a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o mercado financeiro.
Gabrielli deu ainda estimativas de que cada sistema produtivo para o pré-sal custe cerca de US$ 7 bilhões, mas não deu da-dos precisos sobre quantos sistemas produtivos serão necessários para explorar os campos conhecidos na região. "Podem ser 20, 40, não sabemos", disse. De concreto, o executivo informou que o sistema de produção utilizado para as áreas na Bacia de Campos servirá como base para a exploração inicial do pré-sal, mas afirmou que esse sistema não servirá para a exploração de longo prazo dos recursos do pré-sal. "Teremos que desenvolver um novo sistema", afirmou.
Fora do pré-sal, a Petrobras estima que no final deste ano todos os sistemas produtores de gás que deverão elevar a capacidade de produção do Brasil dos atuais 25 milhões para 40 milhões de metros cúbicos por dia estarão prontos no final deste ano, conforme o programado, embora, por razões técnicas e de segurança, a meta só deva ser alcançada no primeiro trimestre de 2009. (*) Do Valor Online