Título: Petrobras espera fechar ano com superávit na balança comercial
Autor: Rosas, Rafael
Fonte: Valor Econômico, 16/09/2008, Brasil, p. A8

A instituição de 3% do biodiesel ao óleo diesel comercializado no país, o trabalho das refinarias para aumentar a produção de diesel e o atual movimento de queda dos preços do petróleo contribuem para que a Petrobras mantenha a expectativa de fechar o ano com saldo positivo na balança comercial de combustíveis líquidos, que no primeiro semestre registrou déficit de US$ 615 milhões. De acordo com diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, esses fatores levaram a empresa a rever a estimativa de superávit para o fim do ano, que era de US$ 500 milhões.

Costa lembrou que a entrada da unidade de coque na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) aumentou a produção de diesel na unidade em 12 mil barris por dia, além do que, desde 1 de julho todo o diesel comercializado no país tem 3% de biodiesel, diante de apenas 2% no primeiro semestre. Como o diesel é o principal responsável pelo déficit acumulado no primeiro semestre, o executivo acredita que a balança tem boa chance de fechar o ano no azul.

"O quanto (de superávit no fim do ano) é que estamos revisando, principalmente devido a essa forte mudança no preço do petróleo que tivemos de duas semanas para cá e que tem forte impacto, tanto na importação, quanto na exportação", afirmou Costa, que participou da feira Rio Oil & Gas, principal evento do setor de petróleo e gás da América Latina, aberto ontem no Rio de Janeiro.

Ele explicou que a prioridade da área de abastecimento da companhia é a construção de mais cinco refinarias no país, das quais duas, o Comperj, no Estado do Rio de Janeiro, e a Abreu Lima, no Estado de Pernambuco, já estão em obras. Além disso, a estatal já anunciou a construção de refinarias nos Estados do Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará.

"Temos 50% da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos) e 87% de Okinawa (no Japão). Nunca deixaremos de avaliar oportunidades, mas a prioridade hoje são as cinco refinarias que temos no Brasil", acrescentou diretor de Abastecimento da Petrobras, revelando que a capacidade de refino, que hoje gira em torno de 2 milhões de barris por dia, deve atingir 3,2 milhões de barris diários com as novas unidades já previstas ou em construção.

Costa acrescentou que a empresa discute com setores do governo a adoção do diesel com 1.800 partes de enxofre por milhão, em substituição ao atual índice de de 2.000 partes por milhão adotado hoje. Segundo ele, a companhia teria condições de começar a adotar, a partir de janeiro, a produção de diesel com 50 partes de enxofre por milhão, caso houvesse no país o uso de motores Euro4 e Euro5, que reduzem a emissão de enxofre quando utilizado o combustível com 50 partes por milhão.